domingo, 26 de dezembro de 2010

domingo, 28 de novembro de 2010

Jornalismo Policial - queria tá subindo o morro do Alemão

Gente, acompanhando a cobertura que a imprensa carioca me bateu uma imensa saudade da época em que estava em campo, na editoria de polícia do Diário de Natal. Essa sem dúvida, é a editoria mais fascinante do jornalismo. Pois vivenciamos o que é "quente" na notícia, além é claro, das investigações e das atividades juntos à fontes.

Depois que aderi ao twitter me tornei a rainha das promoções, já ganhei senhas pra cinema, depilação, senha de festa, mas com certeza o que mais gostei foi o livro "Jornalismo Polícial-histórias de quem faz". São entrevistas com 17 profissionais da área produzidos por alunos de jornalismo da Uniban e organizado pela professora Patrícia Paixão.

As entrevistas são bacanas, mas considerei-as superficiais. Tem mais um tom de exaltação aos profissionais do que de questionamento mesmo. A pauta ficou extremamente engessada, pois as perguntas não deveriam ser as mesmas para profissionais tão diferentes.

Fácil identificar os bons profissionais, os que usam da profissão para ter status e os que realmente fazem o que amam. Virei fã de alguns e tomei abuso de outros. Vale a pena ler. Agora vou assistir mais sobre a guerra no rio e sonhar que subi o Almão na hora do hasteamento do pavilhão nacional. Selva!

O morro desceu

Como já tinha falado há alguns posts estava lendo o livro sobre a história das canções de Paulo César Pinheiro. E durante essa semana em que o Rio de Janeiro, minha terra de coração e de certidão de nascimento, viveu uma guerra civil explícita, uma das canções me chamou a atenção. Ele mesmo que também fez uma belíssima canção sobre os nomes das favelas do Rio que estavam perdendo a poesia, falava no samba "O dia em que o morro descer e não for carnaval" sobre o que acontecia.

No texto em que ele explica como fez a música fica claro o quanto era previsível que isso acontecesse. Ele fala sobre o quanto as comunidades são esquecidas pelo poder público, e o quanto elas passam a fazer parte do espetáculo que é o carnaval e que atrai turistas do mundo inteiro. Ele questiona o que aconteceria se todo aquele povo, esquecido e à margem da sociedade resolvesse descer o morro e "tomar sua parte" do que produzia.

Uma música profética, como várias outras que fez durante sua vida. Ainda bem, que na vida real, pelo menos por enquanto, a polícia venceu.

O dia em que o morro descer e não for carnaval
Wilson das Neves e Paulo César Pinheiro

O dia em que o morro descer e não for carnaval
ninguém vai ficar pra assistir o desfile final
na entrada rajada de fogos pra quem nunca viu
vai ser de escopeta, metralha, granada e fuzil
(é a guerra civil)

No dia em que o morro descer e não for carnaval
não vai nem dar tempo de ter o ensaio geral
e cada uma ala da escola será uma quadrilha
a evolução já vai ser de guerrilha
e a alegoria um tremendo arsenal
o tema do enredo vai ser a cidade partida
no dia em que o couro comer na avenida
se o morro descer e não for carnaval

O povo virá de cortiço, alagado e favela
mostrando a miséria sobre a passarela
sem a fantasia que sai no jornal
vai ser uma única escola, uma só bateria
quem vai ser jurado? Ninguém gostaria
que desfile assim não vai ter nada igual

Não tem órgão oficial, nem governo, nem Liga
nem autoridade que compre essa briga
ninguém sabe a força desse pessoal
melhor é o Poder devolver à esse povo a alegria
senão todo mundo vai sambar no dia
em que o morro descer e não for carnaval.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Vou deitar e rolar (quaquaraquaquá)

Paulo César Pinheiro e Baden Powel

Não venha querer se consolar
Que agora não dá mais pé nem nunca mais vai dar
Também quem mandou se levantar
Quem levantou pra sair perde o lugar
E agora cadê teu novo amor
Cadê que ele nunca funcionou
Cad~e que ele nada resolveu
Quaquaraquaquá, quem riu
Quaquaraquaquá, fui eu
(Que inda sou eu)

Você já entrou na de voltar
Agora fica na tua que é melhor ficar
Porque vai ser fogo me atuear
Quem cai na chuva só tem que se molhar
E agora cadê, cadê você
Cadê que eu não vejo mais, cadê
Pois é, quem te viu e quem te vê
Quaquaraquaquá, quem riu
Quaquaraquaquá, fui eu

Todo mundo se admira
Da mancada que a madamezinha deu
Que deu no pira
Mas ficou sem nada ter de seu
Ela não quis levar fé
Na virada da maré
Mas que malandro sou eu pra ficar
Dando colher de chá
Se eu não tive colher
Vou deitar e rolar
O vento que venta aqui
É o mesmo que venta lá
E volta pro mandingueiro
A mandinga de quem mandingar

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Vida de jornalista

Ser jornalista no Brasil não é fácil. No RN ainda acho pior. Isso porque estamos em um estado com uma população relativamente grande, mas que ainda vive com uma mentalidade de província. Aqui, o jornalismo defende ideiais políticas. Nao que isso seja errado, o errado é isso não ser dito de forma clara e objetiva à sociedade. Estamos sempre tentando burlar o patrão para colocar o interesse do povo em primeiro lugar, o que é bem difícil.

Aqui também enfrentamos o pior piso salarial do Brasil. Muitos dirão que pelo menos o custo de vida por essas bandas não é dos mais altos, viver com R$ 2 mil em Sampa deve ser pior que viver com os R$ 900 aqui. Mas e cadê a nossa valorização profissional? Eu pelo menos fiz um curso superior, numa área que escolhi e gosto de trabalhar, pra saber que o valor médio pago no mercado é de menos de dois salários mínimos? Parece piada.

Todos os dias saímos de casa sem saber que pauta iremos trabalhar, por isso "meu filho", diria o editor, venha sempre bem vestido. Mas nossa... São só R$ 900 para o aluguel, o busão, a alimentação e ainda tenho que vir arrumadinho?

É. Cada profissão tem sua peculiaridade. Nós jornalistas temos as nossas. Desde que entramos na universidade vem alguém dizer: "jornalista é jornalista 24h por dia, não tem essa de horário de expedinte". Ei, mas somos trablhadores. Precisamos nos qualificar, precisamos de qualidade de vida, nem mesmo a boemia de tempos atrás conseguimos manter pois falta a grana da cerva e o tempo pra jogar o papo fora na mesa do bar, pois para conseguir manter a dignidade, cada um de nós tem, no mínimo, dois empregos.

Nós, jornalistas do RN, estamos em campanha salarial. Nossos amados patrões acham que estamos bem demais, pois isso nos oferecem R$ 31,50 de aumento, além disso a gente anda descansando muito, pra que 4 folgas por mês? Uma tá de bom tamanho... E receber pra viajar? Ora, faça-me o favor. Quantos não gostariam de ter um trabalho que viajasse como o de vocês. ô povo pra reclamar de barriga cheia.

Nossa luta hoje é muito mais que salário. Nossa luta é contra a afronta que nos está sendo feita. É contra o absurdo que é o assédio moral que enfrentamos diariamente nas redações. É contra o abuso de poder dos que até ontem eram nossos colegas repórteres como nós.

Depois que entrei nessa luta já ouvi muita coisa. "Pra quê se meter nisso? Você não ganha só isso mesmo." ou "Você vai se queimar no mercado". É. Pode ser que tenham razão. Mas pra mim, ou mudamos essa realidade agora ou eu mudo de profissão. Porque um gari por essas bandas ganha R$ 1 mil. E podem ter certeza, medo do trabalho eu não tenho.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Parceria

Paulo César Pinheiro

Parceria é um casamento, mas que dura...
Porque na parceria não há jura
Não há promessa de fidelidade
se, em plena criação, alguém lhe atrai
Você diz ao parceiro, e você vai...
E volta a ele quando dá saudade.

Porque ele também não se magoa,
Pois sempre sai alguma coisa boa
Quando na música se prevarica.
Um samba, uma modinha, numa toada,
Depende muito de cada transada,
Mas se é bem dada é uma canção que fica.

Parceria é um casamento que não cansa
Porque não tem contrato e nem cobrança
Ciúme tem... mas isso é passageito.
Quem é traído, muita vez reage
Propondo aos dois fazer uma menage
No instrumento do próprio parceiro.

Mas brincadeira à parte, a parceria
É uma amizade que se faz um dia
E não se rompe por qualquer besteira
É o desejo ardente da poesia
Que vai pra cama com a melodia
Deixando frutos pela vida inteira,

De volta

Coisa maravilhosa é redescobrir o prazer dos livros. É voltar a fazer coisas que tanto gostamos depois d eum tempo de escuridão. Voltei pros meus livros maravilhosos. É. Nada muito profundo, por enquanto, mas tem me aberto o mundo novamente.

Comecei pela indicação da psicóloga, Comer, Rezar, Amar, da ELizabeth Gilbert. Bem água com açúcar, mas bacaninha. Combinou com meu momento e me fez morrer de inveja da protagonista que pode sumir por uns tempos...hehehe

Aproveitei o embalo e assisti o filme com a Julia Roberts. Muito ruinzinho. O livro já é bem mediano, o filme não chega aos pés. Narrativa enfadonha e as mudanças que foram feitas no roteiro para tornar a história um pouco mais cinematográfica deixaram muito a desejar.

Depois parti para o romance Somos Todos Inocentes do espírito Lucius, psicoghrafado pela Zíbia Gasparetto. A história muito boa. Pra quem acredita na doutrina é uma verdadeira aula de como as coisas se encaixam e como tudo tem um porquê. Pra quem não curte muito e não segue a religião, vale a pena pela narrativa bem amarrada e a história de tirar o fôlego, apesar do final bastante previsível.

Hoje me entreguei ao História das minhas canções, de Paulo César Pinheiro. Simplesmente sensacional. A cada música me apaixono mais pelo poeta e me identifico com suas canções. Devo terminá-lo antes de domri, pois ainda não consegui parar de ler. Meio atolada na nossa campanha salarial, que está me pedindo um texto para esse espaço, mas só depois que meu poeta me colocar pra domrir.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

E fim...

Vamos Deixar De Intimidade

(Ary Barroso)

Mulher
Vamos deixar de intimidade
Entre nós, mais nada existe
Nem o amor, nem a saudade

Mulher
Vamos deixar de intimidade
Entre nós, mais nada existe
Nem o amor, nem a saudade

Tu juraste, certo dia
Aos meus pés cinicamente
Que o amor não morreria
Ele foi, zombou da gente
Mas veio outro
Me puseste na rua
Eu também não me incomodo
Minha vida continua

Mulher
Vamos deixar de intimidade
Entre nós, mais nada existe
Nem o amor, nem a saudade

Mulher
Vamos deixar de intimidade
Entre nós, mais nada existe
Nem o amor, nem a saudade

Um amor que a gente perde
É semente de outro amor
Se pra tudo tem remédio
Também tem remédio a dor
Ah, o meu santo que me guarda
É muito forte
Se me livrou dos teus olhos
Também me livra da morte

sábado, 6 de novembro de 2010

Atrasos

Depois de anos sem aparecer por aqui, continuo sem tempo para aparecer por aqui. Mas queria devidir com vocês este texto bem bacana que recebi pelo tuite. Bem, eu realmente sou a favor da criação de um consleho, mas ainda precisa haver muitas discussão a respeito. É bom que as pessoas não se enganem. Há censura sim nos dias de hoje. A censura do capital. Dos donos do poder. E não é a sociedade, pode ter certeza. Mas enfim segue abaixo o texto. E quem quiser conhecer melhor o autor é só dar uma passada no blog: http://www.diariodocentrodomundo.com.br/

Quem fiscaliza o fiscal?
Por Paulo Nogueira

Há, na Inglaterra, uma guerra fria entre os políticos e os jornalistas que cobrem política. Os políticos entendem que os jornalistas não receberam mandato da sociedade – votos, em suma – que lhes dê legimitidade nos comentários ou nos debates.

Em seu bom livro sobre jornalismo, My Trade, ou Meu Ofício, Andrew Marr, editor de política da BBC, detém-se longamente nesta discussão. Há alguma coisa nela, feitas as devidas adaptações, que vale para o Brasil.

Quais os limites do jornalismo e dos jornalistas?

Vejamos a Folha de S. Paulo, por exemplo. Ela procura se colocar, em editoriais e em publicidade, como uma espécie de fiscal sagrado dos governos. Tudo bem. Mas é preciso não perder de vista que ela não recebeu essa incumbência da sociedade.

Não foi votada. Não foi eleita.

Fora isso, existe fiscal que não é fiscalizado?

Jornalismo é, como todos os outros, um negócio. Em geral, quem investe em jornalismo não está atrás de dinheiro. Os lucros não costumam ser grandes. O que o jornalismo dá é prestígio, influência. Empresários interessados em recompensas mais palpáveis fazem suas apostas em outras áreas. No começo da década de 2000, quando a internet já desaconselhava investimentos em papel no Reino Unido, um empresário russo comprou o jornal inglês The Evening Standard, em grave crise financeira, examente por isso: para ganhar respeitabilidade.

É um jogo antigo.

Na biografia semioficial de Octavio Frias de Oliveira, está publicado um episódio revelador. Nabantino, o antigo dono da Folha, estava desencantado porque se julgara traído pelos jornalistas que fizeram a greve de 1961. (Meu pai era um deles.) Decidiu vender o jornal. Um amigo comum de Nabantino e Frias sugeriu que ele comprasse. “Dinheiro você já tem da granja”, ele disse. “O jornal vai dar prestígio a você.” Na biografia, a coleção de fotos de Frias ao lado de personalidades mostra que o objetivo foi completamente alcançado. Um granjeiro não estaria em nenhuma daquelas fotos.

Sendo um negócio, o jornalismo não está acima do bem e do mal. É natural que prevaleçam, nele, as razões de empresa. Essas razões podem coincidir com as razões nacionais – ou não. Observe o mais carismático – não necessariamente o melhor ou mais escrupuloso – empresário de jornalismo da história do Brasil, Roberto Marinho, da Globo. Quem garante que o que era melhor para ele era o melhor para o país? Roberto Marinho era tão magnânimo a ponto de pôr os interesses nacionais à frente dos pessoais?

Como a sociedade não elegeu empresas jornalísticas, seus donos não têm que dar satisfação a ninguém sobre coisas como o uso dão ao dinheiro que retiram. Se decidem vender o negócio, nada os impede. Essa é a parte boa de você não ter um vínculo ou uma delegação direta da sociedade. Não existem amarras burocráticas para seus movimentos. Mas você não pode ficar com a parte boa e dispensar a outra – a que não lhe garante tratamento privilegiado apenas por ser da imprensa. Liberdade de expressão não é um conceito que tenha valor em si e sim dentro de um contexto. Na Inglaterra, você não pode publicar um artigo que exalte o terror islâmico, por exemplo. Mesmo no célebre Speaker’s Corner – o canto no Hyde Park tradicional por abrigar qualquer tipo de manifestação de gente que suba num caixote ou numa escada – se você louvar Bin Laden é preso assim que pisar no chão.

No Reino Unido, a mídia é acompanhada, como toda indústria. Há, por exemplo, um órgão regulador independente para a tevê e para o rádio, o Ofcom. A independência é vital. Se o Ofcom fosse manipulado por interesses políticos, seria um problema e não uma solução. Também não prestaria para nada se fosse controlado pelas próprias emissoras. Em poucas atividades há tanta autocomplacência como na auto-regulamentação. Outro fator relevante no acompanhamento da mídia entre os britânicos é a existência de grupos de pressão como o Mediawatcher, uma associação de espectadores que esperneia sempre que acha oportuno.

É curioso que não haja nada desse tipo no Brasil. As pressões do público são desogarnizadas, como vimos, por exemplo, no movimento que sugeriu a Galvão Bueno calar a boca.

Jornalismo é um negócio como todo outro. Apenas, em vez de vender sabão, você vende notícias e análises. Isso dá prestígio – mas não pode dar imunidade. Um modelo de acompanhamento semelhante ao britânico – em que não exista manipulação política do governo, como acontece em ditaduras – seria um avanço para o Brasil. Não se pode confundir acompanhamento com censura: os brasileiros ainda têm clara na memória a agressão ao noticiário sofrida na ditadura militar, e sabem o que aconteceu em países como a Rússia. Mas nada disso pode servir de impedimento para uma discussão adulta que eventualmente conduza da auto-regulamentação para uma regulamentação independente nos moldes da britânica.

Há dois grandes desafios aí. Um é vencer a resistência da mídia em sair da área de conforto da auto-regulamentação. Devem prevalecer aí não os interesses particulares e sim os do país. O outro é neutralizar a tentação dos governo de tomar a si um acompanhamento que só faz sentido se for genuinamente independente.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

A histórica influência do jornalismo na vida política brasileira

Rachel Duarte




“Vou derrotar alguns jornais e revistas que se comportam como partidos políticos”. Talvez este tenha sido o ápice do discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no último final de semana, durante comício em Campinas (SP). Não precisava nem ser ano de eleição para a declaração repercutir como uma bomba ao longo desta semana. A posição da Associação Nacional de Jornais (ANJ) foi dada pela sua presidente. Judith Britto afirmou que, por falta de uma oposição ao governo de Lula, a imprensa ocuparia este papel.

Hoje, diferentes grupos estão nas ruas da capital paulista fomentando o debate sobre liberdade de imprensa. Porém, os confrontos entre imprensa e governantes e até mesmo entre imprensa e candidatos à presidência da República não é novidade no Brasil Republicano. Em 1954, quando foi anunciado o suicídio do presidente Getúlio Vargas, defensores do seu governo invadiram e depredaram as redações dos Diários e Emissoras Associados (DEA), que criticavam duramente as ações do presidente trabalhista. Segundo o historiador gaúcho Voltaire Schilling, a campanha O Petróleo é Nosso pautou a imprensa, liderada pelo influente Francisco de Assis Chateaubriand, dono dos DEA. Ele alegava que a Petrobras seria uma concessão aos comunistas. “Este foi o caso mais famoso e que levou a um desenlace dramático: o suicídio de Getúlio. O argumento da imprensa era o de que estava sendo criada uma estatal contra o país. A iniciante TV Tupi impulsionou esta crise”, disse.

Em defesa de Getúlio surgiu o jornal Última Hora, do jornalista Samuel Wainer. A ideia inicial do jornal foi de Vargas, que conheceu Wainer quando o jornalista o entrevistou em 1949. Vargas estava “exilado” na sua fazenda em São Borja desde que fora deposto, mas já planejava o retorno. Em 50, voltou ao poder, eleito democraticamente. A UH defendeu o governo durante todo o seu mandato (1951-54). Por conta disso, enfrentou uma série de campanhas que ameaçavam a sua própria existência.

Durante o governo de João Goulart, a Última Hora permaneceu fiel à sua tradição trabalhista, apoiando o presidente até as vésperas do movimento militar que o depôs, em 1º de abril de 1964. Depois do golpe, a Última Hora foi apedrejada e Samuel Wainer teve seus direitos políticos cassados. Mas o jornal prosseguiu na sua trajetória popular e nacionalista até 1971, quando foi vendido por Wainer. A antiga redação foi desmantelada e o jornal passou por vários proprietários até 91, quando encerrou definitivamente suas atividades.

Segundo o historiador Schilling, no caso de Jango, “a grande mídia também se revoltava contra os propósitos de transformar o Brasil em uma democracia de massas”. Ele conta que foi feito um trabalho de corrosão pelo rádio. “Eram programas humorísticos, onde claramente era posto que o governo era corrupto”, conta. A diferença do que era feito no começo do Brasil República para a era Lula, segundo o professor, é que hoje a imprensa não pede o golpe de estado. “Por mais que a mídia faça manifestações contra o Lula, como sempre fez com os governantes com projetos que defendam os interesses das classes mais populares, eles não pedem o golpe”, argumentou. Ele salienta ainda que os interesses dos veículos de comunicação mais influentes do país nunca foram os mesmos dos modelos de gestão de partidos socialdemocratas. “Os grandes patrocinadores destes veículos não têm a preocupação social e é a estes que eles servem. O interesse patronal predomina na pauta destes veículos”, afirma.

O jornalista e doutor em Comunicação, editor da Revista da ADUSP (Associação dos Docentes da USP), Pedro Pomar, explica que o surgimento dos jornais no Brasil teve forte motivação política e, no período republicano, essa vocação se mantém mesmo após o processo de transformações dos grandes jornais, que deixaram de ser empreendimentos familiares para serem modernas empresas capitalistas. “Iniciou com o Jornal do Brasil, depois alcança A Província de S. Paulo (que se tornará O Estado de S. Paulo), o Correio Paulistano e diversos outros. O Correio Paulistano, sólido jornal diário que foi um dos maiores da capital paulista por várias décadas, é uma boa expressão da imprensa da segunda metade do século 19 e primeira metade do século 20, pois era o jornal oficial do Partido Republicano Paulista (PRP), a mais fina representação dos grandes cafeicultores”.

Como exemplo da notória influência dos grandes jornais e emissoras de rádio e, depois, das emissoras e redes de TV, nas crises políticas nacionais, o jornalista voltou ao exemplo de 64, também referido pelo historiador Voltaire Schilling. “Um exemplo sempre lembrado é a participação dos grandes jornais no cerco golpista da UDN (e de outras forças reacionários) a Vargas, participação essa que depois recebeu o devido troco da população revoltada". E, também citou um caso mais recente: a eleição de Fernando Collor de Mello. “Houve uma adesão de importantes setores da mídia, TV Globo à frente, à candidatura de Collor de Mello, em 1989. Esse engajamento midiático foi decisivo para a derrota de Lula”, recordou.

Quanto aos interesses que levam a este comportamento de parte da mídia, ele generaliza: “Existe um interesse pecuniário direto, uma relação de troca. Por exemplo, o governo de São Paulo acaba de adquirir, sem licitação, 34 milhões de reais em publicações da Editora Abril. É um negócio interessante para a Abril. Por outro lado, existem os interesses de classe desse setor do empresariado, que sempre se alinhou às forças políticas mais conservadoras do país. Assim, quando a Folha de S. Paulo fala em “ditabranda” para definir a Ditadura Militar de 1964, isso remete imediatamente ao apoio que essa empresa deu àquele regime”, falou.

O jornalista vai mais além e questiona: “Quando a TV Globo abre campanha contra os quilombolas e se recusa a publicar matéria paga favorável às cotas étnicas na universidade, isso reflete ou não uma posição de classe, ideológica e também política?”

Regulamentação e entrelinhas

Para o presidente da FENAJ, Celso Schröder, a alternativa para evitar o que considera “uma relação ambígua dos grandes meios de comunicação com o centro do poder no país” seria efetivar o que já foi pactuado com os empresários destes veículos e o restante da categoria na 1ª Conferência Nacional de Comunicação. “O melhor modelo seria o norte-americano, que combate, entre outras coisas, os cartéis das concessões para as empresas jornalísticas”, defendeu.

Schröder afirma que, mundialmente, há veículos que ultrapassam o seu papel de comunicadores e fiscalizadores dos poderes, mas, reconhece alguns excessos ocorridos no Brasil. “Existem dois grupos de jornais impressos que têm candidato e isto não é assumido”, mas é nítido. O presidente da Fenaj alega que existem duas razões por trás deste comportamento da imprensa do eixo do país: brecar a regulamentação do sistema de comunicação do Brasil e influenciar no resultado da eleição presidencial. “A interferência no processo eleitoral cria um ambiente negativo, influenciando no resultado das pesquisas”, justifica.

Neste mesmo sentido, o fundador do Movimento dos Sem Mídia (MSM), Eduardo Guimarães, que colaborou na organização do ato desta quinta-feira em SP, afirmou ao Sul21, nesta quarta-feira, 22, que há uma posição velada adotada por parte da imprensa neste pleito. “Há uma clara tentativa de influir no processo eleitoral e, na legislação do Brasil, veículos que têm concessão pública, como emissoras de rádio e televisão, não podem, por lei, manifestar apoio a qualquer candidato. Há veículos que têm concessão pública e que estão fazendo campanha para José Serra. E, mesmo os veículos impressos têm que agir com responsabilidade durante as eleições. Vamos pedir oficialmente, no ato público, respeito à população. Pediremos um processo eleitoral limpo”, antecipou.

Na avaliação do doutor em Comunicação, Pedro Pomar, a ANJ é um órgão do patronato e representa os interesses desse setor do capital e a pretensão de falar em nome da oposição conservadora, e até de assumir a liderança nos ataques ao governo Lula, revela uma dicotomia. “Por um lado, é a eterna pretensão de um setor da imprensa brasileira de agir como partido político e por outro lado, um certo desespero diante da constatação de que seus aliados tradicionais, os partidos conservadores, em especial o PSDB, não conseguem se firmar como uma alternativa política consistente diante da sociedade brasileira”, afirmou.

Os donos da comunicação no Brasil

Na manhã desta quinta-feira, 23, o presidente Lula concedeu entrevista sobre este tema ao site Terra. Ele criticou o comportamento da imprensa que “ao disseminar bobagens vai despolitizando a sociedade”. Entre outras coisas declarou: “Agora, estão dizendo que a TV pública é a TV do Lula. Nunca disseram que a TV pública de São Paulo é do governador de São Paulo e as outras são dos outros governadores”.

Para Lula, críticas à falta de liberdade na área de comunicação, mais do que injustas, não têm sentido. Ele diz duvidar que outros países tenham mais liberdade de informação do que o Brasil. “A verdade é que nós temos nove ou dez famílias que dominam toda a comunicação desse País. A verdade é que você viaja pelo Brasil e você tem duas ou três famílias que são donas dos canais de televisão. E os mesmos são donos das rádios e os mesmos são donos dos jornais”, disparou.

Segundo o presidente da FENAJ, Celso Schröder, o discurso do presidente, bem como as críticas da imprensa são legítimos no processo democrático, porém, questiona a decisão de determinados veículos em ser a oposição do governo Lula. “Não dá para a imprensa ser um partido. Mas, há de se preservar a neutralidade da objetividade jornalística que a imprensa deve exercer. Mas, nós temos dados assustadores de senadores e deputados federais ou mesmos presidentes, que são proprietários de veículos de comunicação”, confirmou.

Sobre a regulamentação do sistema de comunicação do país, o editor da Revista da ADUSP Pedro Pomar salienta que é fundamental o debate na sociedade. “No que diz respeito às mídias eletrônicas de massa, o simples cumprimento dos dispositivos da Constituição Federal já seria um avanço em matéria de regulamentação”, afirma. Pomar recordou que, entre as prioridades aprovadas na I Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), em dezembro de 2009, “a regulamentação do artigo 221 da Constituição Federal e sua observância no que tange aos quesitos que as emissoras de rádio e TV devem preencher para obter outorgas e renovação de outorgas, ou seja: preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas; promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção independente; regionalização da produção cultural, artística e jornalística, conforme percentuais estabelecidos em lei; respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família”.

(fonte: sítio Sul21 24/9)

domingo, 26 de setembro de 2010

SILVIA MACHETE - Toda Bêbada Canta




Já postei aqui que existem textos que parecem que foram escritos por nós mesmos, mas dessa vez achei uma música. Na verdade, quema chou foi Diana e disse que lembrou de mim (eu realmente não sei porquê). Mas sem brincadeira, adorei ter conhecido a cantora, fora essa, ela tem músicas sensacionais...

sábado, 25 de setembro de 2010

Transtorno bipolar precisa ser tratado também com terapias alternativas

Uma montanha-russa emocional, cujos trilhos levam tanto à depressão quanto à euforia. Para as vítimas do transtorno bipolar, a vida é um revezamento de sentimentos e sensações, muitas vezes extremamente debilitantes. Em alguns períodos, viver parece transcorrer em preto e branco — nada tem graça, a autoestima vai à lona, a tristeza toma conta e não se tem energia para encarar o dia a dia. Em outros, um entusiasmo incontrolável invade corpo e alma, deixando a existência excessivamente iluminada, colorida, esfuziante. A voz, as atitudes e os desejos tomam grandes proporções. Os limites são ignorados e a pessoa imagina poder tudo. A bipolaridade é confusa e mais frequente do que se imagina. A Associação Brasileira de Transtorno Bipolar estima que o número de brasileiros acometidos pela doença chegue a 15 milhões. Se não for cuidado, o mal traz grande sofrimento e incapacitação. Quando tratado com psicofármacos, as manifestações, especialmente as depressivas, não desaparecem por completo.

Atualmente, psiquiatras e psicólogos que são referência no assunto não vacilam ao assumir que a abordagem não farmacológica é fundamental para o enfrentamento da doença. O psiquiatra Sérgio Tamai, chefe do Departamento de Psiquiatria e Psicologia Médica da Santa Casa de São Paulo, aponta que, mesmo utilizando todo o arsenal farmacêutico, 60% dos pacientes não apresentam remissão dos sintomas da bipolaridade e os 40% restantes esboçam recaídas periódicas.

De acordo com o médico, sem a intervenção não medicamentosa não se promove autoconhecimento e melhor entendimento da doença, ainda altamente estigmatizada. “Já temos estudos científicos que comprovam que a psicoterapia é determinante na adesão do paciente ao tratamento farmacológico, na redução dos sintomas residuais e até na prevenção de recorrências. A psicoeducação, a terapia cognitivo-comportamental e a terapia interpessoal e familiar são ferramentas adjuvantes, que maximizam as chances de o paciente retomar a vida”, diz.

O transtorno está relacionado a fatores bioquímicos, genéticos e ambientais. O primeiro surto geralmente é deflagrado por um fato marcante na vida da vítima. À medida que vão ocorrendo, as crises ficam mais intensas e passam a ser provocadas por acontecimentos corriqueiros. A medicação estabiliza o indivíduo organicamente, minimizando as variações de humor. A psicoterapia reduz as consequências emocionais dessas variações. “A psicoeducação, por exemplo, visa fornecer aos doentes e aos familiares informações sobre a natureza e o tratamento da bipolaridade. O paciente passa a ter habilidade no reconhecimento de situações que possam desencadear crises”, reforça a psicóloga Girlene Marques Pinheiro.

Contra o estigma
Estudos realizados recentemente na Europa apontam que essa terapia também tem papel importantíssimo para atenuar a ação negativa do estigma da bipolaridade. A psicóloga acrescenta que os bipolares têm problemas associados ao equívoco de entendimento da sociedade em relação às doenças mentais. “São pacientes com autoestima abalada, com medo extremo de recaídas, porque sabem os danos emocionais e pessoais dessas recorrências, além de dificuldades interpessoais. A psicoeducação, assim como a terapia cognitivo-comportamental, ensina a reconhecer as pedras no caminho que podem provocar as crises”, garante Girlene.

O arquiteto João Francisco*, 31 anos, teve a primeira crise depressiva quando mudou de cidade para cursar a faculdade de arquitetura. Longe de casa e diante de novos desafios, ele se sentiu acuado. A depressão não tardou, e veio tão intensa que o jovem não conseguia levantar da cama. A vida parou. Preocupado, João buscou tratamento e, quando conseguiu voltar às atividades sociais e profissionais, foi tomado pelas manifestações da euforia. “Mesmo tomando antidepressivos e antipsicóticos, uma energia incontrolável tomou conta de mim. Passei a confundir imaginação com realidade. Falava alto, achava tudo engraçado, imaginava ter poderes de super-heróis. As pessoas ao meu redor julgavam que eu estava ótimo, mas a situação estava fora de controle”, relata.

Dez anos depois desse episódio, João considera vital estar atento para evitar as crises. E a psicoterapia é uma aliada de peso nesse processo. “Com ela, me conheço melhor. Descobri ainda que apostar no lado criativo me faz muito bem. Pinto, desenho, arrisco projetos de cenografia. São atividades me dão prazer e também funcionam como terapia. Atualmente, trabalho, faço faculdade de artes plásticas, procuro viver um dia após o outro”, diz.

É o que também busca a servidora pública Janaína*, 58 anos. Ela considera que, mais importante que a psicoterapia, é encontrar um psiquiatra e um psicoterapeuta que falem a mesma língua, ou seja, que trabalhem juntos as necessidades do paciente. Janaína conheceu as agruras da depressão depois de sofrer uma perda sentimental. “Não conseguia ter paz. Mesmo cansada, era tomada por uma hiperatividade constante. Não dormia, buscava fazer mil atividades ao mesmo tempo. Era como se todos os meus órgãos estivessem alterados”, revela.

Segundo Janaína, é importante ter consciência de que as manifestações do transtorno são diferentes em cada paciente. “Não podemos ser mensageiros de psiquiatras e psicólogos. A doença é triste e o entrosamento desses dois profissionais nos possibilita ter condições de lidar com os desafios. O tratamento nos dá forças para caminhar com as próprias pernas. Em uma das mãos, sou amparada pelo médico. Na outra, pelo psicoterapeuta”, explica.

O psiquiatra Sérgio Tamai lembra que o transtorno bipolar é uma doença crônica, com uma carga considerável de comorbidades. As abordagens medicamentosa e psicoterápica não bastam. “Também é fundamental que os bipolares tenham um estilo de vida saudável. O envolvimento com álcool e drogas é comum e deteriora ainda mais a saúde mental e física”, alerta. A família e as associações de pacientes também são amparos necessários. “Pais e irmãos podem ajudar sem superproteger. Quem está próximo deve entender a doença, socorrer nos momentos difícieis, saber ler os sinais de crise”, acrescenta João.

Janaína explica que o contato entre pessoas que lidam com dificuldades semelhantes é uma forma de terapia também. “No DF, contamos com o Núcleo de Mútua Ajuda a Pessoas com Transtornos Afetivos (Apta), da Universidade de Brasília. Escutando colegas que passam por situações até piores, aprendemos a lidar com as nossas próprias inseguranças e dificuldades”, conclui.

Do Correiobraziliense.com.br

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

As diferentes maneiras de contar a mesma história

Essa eu recebi por e-mail, sem crédito. Mas miacabei de rir... Divido com vcs.

Se a história da Chapeuzinho Vermelho fosse verdadeira, como ela seria veiculada pela imprensa brasileira?

*Jornal Nacional*
(William Bonner): 'Boa noite. Uma menina chegou a ser devorada por um lobo na noite de ontem.'
(Fátima Bernardes): '.mas a atuação de um caçador evitou a tragédia.'

*Programa da Hebe**
".Que gracinha, gente! Vocês não vão acreditar, mas essa menina
linda aqui foi retirada viva da barriga de um lobo, não é mesmo?"

*Cidade Alerta*

".Onde é que a gente vai parar, cadê as autoridades? Cadê as autoridades? A menina ia pra casa da vovozinha a pé! Não tem transporte público! Não tem transporte público! E foi devorada viva.
Um lobo, um lobo safado. Põe na tela, primo! Porque eu falo mesmo, não tenho medo de lobo, não tenho medo de lobo, não!"

*Superpop*
"Geeente! Eu tô aqui com a ex-mulher do lenhador e ela diz que ele é alcoólatra, agressivo e que não paga pensão aos filhos há mais de um ano. Abafa o caso!"

*Globo Repórter*
"Tara? Fetiche? Violência? O que leva alguém a comer, na mesma noite, uma idosa e uma adolescente?
O Globo Repórter conversou com psicólogos, antropólogos e com amigos e parentes do Lobo, em busca da resposta.
E uma revelação: casos semelhantes acontecem dentro dos próprios lares das vítimas, que silenciam por medo. Hoje, no Globo Repórter.."

*Discovery Channel*
"Vamos determinar se é possível uma pessoa ser engolida viva e sobreviver."

*Revista Veja*
"Lula sabia das intenções do Lobo."

*Revista Cláudia*
"Como chegar à casa da vovozinha sem se deixar enganar pelos lobos no caminho."

*Revista Nova*
"Dez maneiras de levar um lobo à loucura, na cama!"

*Revista Isto É*
Gravações revelam que lobo foi assessor de político influente.

*Revista Playboy*
(Ensaio fotográfico com Chapeuzinho no mês seguinte): "Veja o que só o lobo viu."

*Revista Vip*
"As 100 mais sexies - Desvendamos a adolescente mais gostosa do Brasil!"

*Revista G Magazine*
(Ensaio com o lenhador) "O lenhador mostra o machado."

*Revista Caras*
Na banheira de hidromassagem, Chapeuzinho fala a CARAS: "Até ser devorada, eu não dava valor pra muitas coisas na vida. Hoje, sou outra pessoa."

*Revista Superinteressante*
"Lobo Mau: mito ou verdade?"

*Revista Tititi*
"Lenhador e Chapeuzinho flagrados em clima romântico em jantar no Rio."

*Folha de São Paulo*
"Lobo que devorou menina era do MST"

*O Estado de São Paulo*
"Lobo que devorou menina seria filiado ao PT."

*O Globo*
"Petrobrás apóia ONG do lenhador ligado ao PT, que matou um lobo para salvar menor de idade carente."

*O Povo*
"Sangue e tragédia na casa da vovó."

*O Dia*
"Lenhador desempregado tem dia de herói."

*Extra*
"Promoção do mês: junte 20 selos, mais 19,90 e troque por uma capa vermelha igual a da Chapeuzinho!"

*Meia hora*
"Lenhador passou o rodo e mandou lobo pedófilo pro saco!"

*Capricho*
Teste: "Seu par ideal é lobo ou lenhador?"

terça-feira, 21 de setembro de 2010

O casamento

O título aí não é de texto meu. Na verdade esse texto apareceu na minha time line no twitter, e gostei tanto que resolvi republicá-lo. Finais de casamento são sempre dolorosos e traumatizantes. Eu, que acabo de passar por um, que o diga. E isso torna muito difícil olharmos racionalmente para todo o processo. O texto que segue faz isso de forma clara, sem tomar partido e o melhor: acreditando que casamentos ainda podem dar certo.

O casamento

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Publicidad Andes Teletransporter NUEVA!!!



Depois reclamam da gente dizer que homem é tudo palhaço...

sábado, 18 de setembro de 2010

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Momento narcisista

A que interessa possa, ontem passei o dia nas ocorrências do SIndjorn tentando dar um pouco mais de vitalidade a nossa categoria. Como ninguém é de ferro vai aqui o link pra quem tiver a fim de ler e ver os serviço de ontem, no blo do Canindé Sores. Texto meu e fotos do mago das lentes... hehehe

Sindjorn

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

do jeito que a vida quer...


Essa eu pesquei no blog do Fábio Moon e do Gabriel Bá, gostei de todos os desenhos que tem por lá, mas desse em especial.

domingo, 12 de setembro de 2010

Resumo dos últimos acontecimentos

Sem tempo, sem cabeça e sem saco pra escrever. Tentarei resumir minhas últimas impressões cinematográficas neste post.

Encontro Explosivo: Ação estrelada por Cameron Diaz e Tom Cruise. Uma história sem pé nem cabeça de um agente secreto que conhece uma louca numa viagem de avião e daí em diante os encontros e desencontros dos dois faz a trama do filme. Tem ritmo e tiradas engraçadas como a troca de biquine da protagonista, mas nada que valha uma indicação. Sem nada pra fazer? Vale a pena.

Sonhos Roubados: Tava no cinecult semana passada do Cinemark. Nacional, conta a história de três adolescentes de uma favela que poderia ser de qualquer periferia das grandes cidades brasileiras. Cada uma a sua maneira, usa seu corpo para driblar as dificuldades da vida. Com a Nanda Costa, que ficou conhecida este ano na Globo pela Soraya de Viver a Vida, a garota parece que continua no mesmo papel. As histórias pouco se misturam e parece mais que assistimos pequenos esquetes intercalados. Boa trilha sonora e péssima fotografia. Também vale assistir, mas nada muito prazeroso.

A origem: O tão esperado block buster deste ano realmente prende o fôlego. Uma história cheia de emaranhados que por vezes faz o espectador se perder. Gosto da atuação de Leo de Caprio, mas mais ainda da atuação do ex-astro mirim Joseph Levit Gordon. Ellen Page também está ótima num papel mais adulto, bem diferente da teenager Juno. A trilha de Piaf, também é digna de aplausos. E a dúvida que fica ao fim do filme (que só é solucionada para os mais atentos), vale o investimento. Assistiria mais vezes.

O fim da escuridão: A indicação foi do papis que me repassou uma cópia dublada baixada da internet. Tirando os problemas iniciais a história até que é boa. Tem um roteiro bacana, mas a atuação de Mel Gibson é sofrível. O enredo de uma ameaça à segurança dos EUA, ou seja, a eterna teoria da conspiração, também não me agradou. Há ainda o problema de se levantar novamente a existência de um quarto poder, que seria a mídia para resolver os problemas do mundo. O final não ficou muito claro o rumo tomado pelo “planeta” (leia-se EUA), e tudo se resumiu a uma história de princípios e ética passados de pai pra filha. Assistam, mas de preferência legendado.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Mais uma vez definida pelos outros

Essa foi do @samucae, amiguinho do tuite

Caro cérebro, desculpe sobrecarregar vc. Caro travesseiro, desculpe as lágrimas. Caro coração, sinto mt por todos os danos. Fígado.. Fígado?

êta vida de cão

terça-feira, 7 de setembro de 2010

O tempo não pára

Vai completar seis meses. Parece que foi ontem. A dor é a mesma. O vazio ainda maior. Essa semana fui ao cinema. Assiti dois filmes seguidos. Ainda não consegui escrever. Concentração é uma coisa que não tenho.... deixa vez.... vai fazer seis meses.

Hoje comecei a assisitir mais um. Em casa mesmo. Dormi no meio. Não, não tava com sono. Acordei 13h. Dormi porque é o único momento em que fujo dessa sombra.

Queria voltar a assistir filmes. Ler livros. Postar aqui. Tá difícil.

Lembranças não são fáceis de se apagar. E há dias que elas surgem com uma força que é "tsunâmica" (se é que isso existe)....

Cachorro-quente de forno. Samba. Arquivo Vivo no Praia Shopping. Filminho de tarde (interrompido por um sono intenso). Ligações sindicais. Vazio... A única pergunta é sempre a mesma: por quê?

Simplesmente maravilhoso

http://macariocampos.blogspot.com/2010/09/samba-da-bencao.html

Um Dia Você Aprende

Depois de algum tempo você aprende a diferença,
a sutil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma.
E você aprende que amar não significa apoiar-se,
e que companhia nem sempre significa segurança.
E começa a aprender que beijos não são contratos
e presentes não são promessas.
E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida
e olhos adiante, com a graça de um adulto
e não com a tristeza de uma criança.
E aprende a construir todas as suas estradas no hoje,
porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos,
e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.
Depois de um tempo você aprende que o sol queima
se ficar exposto por muito tempo.
E aprende que não importa o quanto você se importe,
algumas pessoas simplesmente não se importam…
E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa,
ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso.
Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.
Descobre que se leva anos para se construir confiança
e apenas segundos para destruí-la,
e que você pode fazer coisas em um instante,
das quais se arrependerá pelo resto da vida.
Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer
mesmo a longas distâncias.
E o que importa não é o que você tem na vida,
mas quem você é na vida.
E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.
Aprende que não temos que mudar de amigos
se compreendemos que os amigos mudam,
percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa,
ou nada, e terem bons momentos juntos.
Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida
são tomadas de você muito depressa,
por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos
com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos.
Aprende que as circunstâncias e os ambientes tem influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos.
Começa a aprender que não se deve comparar com os outros,
mas com o melhor que você mesmo pode ser.
descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto.
Aprende que não importa onde já chegou, mas onde está indo,
mas se você não sabe para onde está indo,
qualquer lugar serve.
Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão,
e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade,
pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação,
sempre existem dois lados.
Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer,
enfrentando as conseqüências.
Aprende que paciência requer muita prática.
Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute
quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se.

Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência
que se teve e o que você aprendeu com elas
do que com quantos aniversários você celebrou.
Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha.
Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens,
poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia
se ela acreditasse nisso.
Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva,
mas isso não lhe dá o direito de ser cruel.
Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer
que ame, não significa que esse alguém não o ama,
pois existem pessoas que nos amam,
mas simplesmente não sabem como demonstrar isso.
Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém,
algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo.
Aprende que com a mesma severidade com que julga,
você será em algum momento condenado.
Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido,
o mundo não pára para que você o conserte.
Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás.
Portanto,plante seu jardim e decore sua alma,
ao invés de esperar que alguém lhe traga flores.
E você aprende que realmente pode suportar…
que realmente é forte, e que pode ir muito mais
longe depois de pensar que não se pode mais.
E que realmente a vida tem valor
e que você tem valor diante da vida!
Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem
que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar.

Este texto tem algumas partes escritas por William Shakespeare mas sofreu algumas alterações.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Defeitos dos jornalistas

Catei no blog da Ana Estela de Sousa Pinto, na Folha on line esse texto sobre os defeitos dos jornalistas. Muito bom, eu tenho alguns, mas sempre tento me corrigir. O negócio é não desistir, né não?

Segue:
O ALEC DUARTE descobriu uma lista na internet com os 22 piores defeitos dos jornalistas.

Em resumo:


1.Se achar dono da verdade.
2.Se considerar infalível.
3.Se achar estrela.
4.Se acreditar salvador ou juiz.
5.Confiar demais em suas fontes.
6.Esquecer que seu principal objetivo é informar as pessoas.
7.Simplificar muito a apuração via "copy paste" e Google.
8.Inventar estatísticas incomprováveis para vender uma nota que não existe.
9.Disfarçar a verdade (distorcer?).
10.Não saber escutar (chefe, leitor, fonte, consciência...).
11.Querer ser protagonista da notícia.
12.Não sentir amor pela carreira e paixão pelo que faz.
13.Achar que pode dizer o que quiser só por ter microfone e câmera na mão.
14.Muito ego.
15.Não pensar na audiência e que o jornalismo é um serviço.
16.Não se preocupar em aprender e resistir a mudanças.
17.Se preocupar mais em assinar os créditos que em entregar um bom trabalho (não sei se traduzi direito esta).
18.Sabotar o trabalho dos colegas.
19.Falta de criatividade e iniviativa.
20.Não ter compromisso com a profissão.
21.Confundir ficção com jornalismo no afã de fazer "jornalismo literário".
22.Não ser autocrítico.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Por que elas dão para idiotas

O texto linkado é simplesmente sensacional. Sugestão da minha amiga Laura Alves, é bem realista e objetivo.

Por que elas dão para idiotas

domingo, 29 de agosto de 2010

Jornalista está cada vez mais doente

Por Elaine Tavares

O psicólogo, professor e pesquisador da Fundação Getúlio Vargas, Roberto Heloani, conseguiu levantar um perfil devastador sobre como vivem os jornalistas e por que adoecem. O trabalho ouviu dezenas de profissionais de São Paulo e Rio de Janeiro, a partir do método de pesquisa quantitativo e qualitativo, envolvendo profissionais de rádio, TV, impresso e assessorias de imprensa. E, apesar da amostragem envolver apenas dois estados brasileiros, o relato imediatamente foi assumido pelos delegados ao Congresso de Santa Catarina – que aconteceu de 23 a 25 de julho – evidenciando assim que esta é uma situação que se expressa em todo o país.

Segundo Heloani a mídia é um setor que transforma o imaginário popular, cria mitos e consolida inverdades. Uma delas diz respeito à própria visão do que seja o jornalista. Quem vê a televisão, por exemplo, pode criar a imagem deformada de que a vida do jornalista é de puro glamour. A pesquisa de Roberto tira o véu que encobre essa realidade e revela um drama digno de Shakespeare. Nela, fica claro que assim como a mais absoluta maioria é completamente apaixonada pelo que faz, ao mesmo tempo está em sofrimento pelo que faz, o que na prática quer dizer que, amando o jornalismo eles não se sentem fazendo esse jornalismo que amam, sendo obrigados a realizarem outra coisa, a qual odeiam. Daí a doença!

Um dado interessante da pesquisa é que a maioria do pessoal que trabalha no jornalismo é formada por mulheres e, entre elas, a maioria é solteira, pelo simples fato de que é muito difícil encontrar um parceiro que consiga compreender o ritmo e os horários da profissão. Nesse caso, a solidão e a frustração acerca de uma relação amorosa bem sucedida também viram foco de doença.

Heloani percebeu que as empresas de comunicação atualmente tendem a contratar pessoas mais jovens, provocando uma guerra entre gerações dentro das empresas. Como os mais velhos não tem mais saúde para acompanhar o ritmo frenético imposto pelo capital, os patrões apostam nos jovens, que ainda tem saúde e são completamente despolitizados. Porque estão começando e querem mostrar trabalho, eles aceitam tudo e, de quebra, não gostam de política ou sindicato, o que provoca o enfraquecimento da entidade de luta dos trabalhadores. “Os patrões adoram, porque eles não dão trabalho”.

Outro elemento importante desta “jovialização” da profissão é o desaparecimento gradual do jornalismo investigativo. Como os jornalistas são muito jovens, eles não tem toda uma bagagem de conhecimento e experiência para adentrar por estas veredas. Isso aparece também no fato de que a procura por universidades tradicionais caiu muito. USP, Metodista ou Cásper Líbero (no caso de São Paulo) perdem feio para as “uni”, que são as dezenas de faculdades privadas que assomam pelo país afora. “É uma formação muitas vezes sem qualidade, o que aumenta a falta de senso crítico do jornalista e o torna mais propenso a ser manipulado”. Assim, os jovens vão chegando, criando aversão pelos “velhos”, fazendo mil e uma funções e afundando a profissão.
Um exemplo disso é o aumento da multifunção entre os jornalistas mais novos. Eles acabam naturalizando a idéia de que podem fazer tudo, filmar, dirigir, iluminar, escrever, editar, blogar etc… A jornada de trabalho, que pela lei seria de 5 horas, nos dois estados pesquisados não é menos que 12 horas. Há um excesso vertiginoso. Para os mais velhos, além da cobrança diária por “atualização e flexibilidade” há sempre o estresse gerado pelo medo de perder o emprego. Conforme a pesquisa, os jornalistas estão sempre envolvidos com uma espécie de “plano B”, o que pode causa muitos danos a saúde física e mental. Não é sem razão que a maioria dos entrevistados não ultrapasse a barreira dos 20 anos na profissão. “Eles fatalmente adoecem, não agüentam”.

O assédio moral que toda essa situação causa não é pouca coisa. Colocados diante da agilidade dos novos tempos, da necessidade da multifunção, de fazer milhares de cursos, de realizar tantas funções, as pessoas reprimem emoções demais, que acabam explodindo no corpo. “Se há uma profissão que abraçou mesmo essa idéia de multifunção foi o jornalismo. E aí, o colega vira adversário. A redação vive uma espécie de terrorismo às avessas”. Conforme Heloani, esta estratégia patronal de exigir que todos saibam um pouco de tudo nada mais é do que a proposta bem clara de que todos são absolutamente substituíveis. A partir daí o profissional vive um medo constante, se qualquer um pode fazer o que ele faz, ele pode ser demitido a qualquer momento. “Por isso os problemas de ordem cardiovascular são muito frequentes. Hoje, Acidentes Vasculares Cerebrais (AVCs) e o fenômeno da morte súbita começam a aparecer de forma assustadora, além da sistemática dependência química”.

O trabalho realizado por Roberto Heloani verificou que nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro 93% dos jornalistas já não tem carteira assinada ou contrato. Isso é outra fonte de estresse. Não bastasse a insegurança laboral, o trabalhador ainda é deixado sozinho em situações de risco nas investigações e até na questão judicial. Premidos por toda essa gama de dificuldades os jornalistas não tem tempo para a família, não conseguem ler, não se dedicam ao lazer, não fazem atividades físicas, não ficam com os filhos. Com este cenário, a doença é conseqüência natural.

O jornalista ganha muito mal, vive submetido a um ambiente competitivo ao extremo, diante de uma cotidiana falta de estrutura e ainda precisa se equilibrar na corda bamba das relações de poder dos veículos. No mais das vezes estes trabalhadores não tem vida pessoal e toda a sua interação social só se realiza no trabalho. Segundo Heloani, 80% dos profissionais pesquisados tem estresse e 24,4% estão na fase da exaustão, o que significa que de cada quatro jornalistas, um está prestes a ter de ser internado num hospital por conta da carga emocional e física causada pelo trabalho. Doenças como síndrome do pânico, angústia, depressão são recorrentes e há os que até pensam em suicídio para fugir desta tortura, situação mais comum entre os homens.

O resultado deste quadro aterrador, ao ser apresentado aos jornalistas, levou a uma conclusão óbvia. As saídas que os jornalistas encontram para enfrentar seus terrores já não podem mais ser individuais. Elas não dão conta, são insuficientes. Para Heloani, mesmo entre os jovens, que se acham indestrutíveis, já se pode notar uma mudança de comportamento na medida em que também vão adoecendo por conta das pressões. “As saídas coletivas são as únicas que podem ter alguma eficácia”, diz Roberto.

Quanto a isso, o presidente do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina, Rubens Lunge, não tem dúvidas. “É só amparado pelo sindicato, em ações coletivas, que os jornalistas encontrarão forças para mudar esse quadro”. Rubens conta da emoção vivida por uma jornalista na cidade de Sombrio, no interior do estado, quando, depois de várias denúncias sobre sobrecarga de trabalho, ele apareceu para verificar. “Ela chorava e dizia, `não acredito que o sindicato veio´. Pois o sindicato foi e sempre irá, porque só juntos podemos mudar tudo isso”. Rubens anda lembra dos famosos pescoções, praticados por jornais de Santa Catarina, que levam os trabalhadores a se internarem nas empresas por quase dois dias, sem poder ver os filhos, submetidos a pressão, sem dormir. “Isso sem contar as fraudes, como a do Diário do Oeste, em Concórdia, que não tem qualquer empregado. Todos foram transformados em sócios-cotistas. Assim, ou se matam de trabalhar, ou não recebem um tostão”.

A pesquisa de Roberto Heloani é um retrato vivo, chaga aberta, de uma realidade nacional. Os jornalistas espelhados aqui tem uma única opção: lutar de forma conjunta, unificados e dentro dos sindicatos. As derrotas vividas com a decisão do STF fragilizam e consomem ainda mais os profissionais, mas, a história humana está aí para mostrar que só a luta muda as coisas. Saídas individuais podem servir a um ou outro, mas quando uma categoria luta junto, ela vence! Assim é!

oi???

me conheça sempre mais que hoje:

www.twitter.com/anapcossil

sábado, 28 de agosto de 2010

Eu queria ser Lya Luft

"O casal perfeito seria o que entende, aceita, mas não se conforma, com o desgaste de qualquer convívio e qualquer união."

"O casal perfeito seria o que sabe aceitar a solidão inevitável do ser humano, sem se sentir isolado do parceiro - ou sem se isolar dele."

Definições mais perfeitas? Essas são apenas duas de várias frases e textos que ela escreve e me pergunto como não saíram da minha cabeça...

domingo, 22 de agosto de 2010

Vamo Flamengo!!!


O excesso de farras e trabalho tem me mantido afastada de bons filmes e livros, mas quem sabe na minha casinha nova eu não resolva esse problema. Na verdade eu procurei separar um tempinho para falar do grande amor da minha vida: o Flamengo.

Isso mesmo, o meu Mengão (que em breve será homenageado com uma tatuagem) está indo de mal a pior. Numa campanha que não podemos nem mesmo considerar irregular. A derrota de hoje para o Atlético PR, que até esta noite estava na Zona de Rebaixamento, é só uma amostra do desmonte que vem ocorrendo. Desmonte esse indesculpável, visto que somos os atuais campeões brasileiros.

Confesso que quando veio o hexa, eu mal acreditava que o Flamengo fosse capaz de chegar lá. Mas aí veio. Fomos hexa e calamos a boca de uma imensa nação de anti-rubro negros e elevamos a moral dos seguidores dessa maravilhosa religião. O manto sagrado voltava a brilhar no ponto mais alto de prédios, estádios e carros e no corpo de milhões de brasileiros que voltaram a ter a alegria de dizer: sou flamenguista.

Título conquistado, vamos pensar no retorno, não é mesmo? Agora o Flamengo terá patrocínio para trazer quem quiser e montar uma verdadeira seleção, uma vez que o Império do Amor estava ameaçado de ser desfeito desde o final de 2009. Mas parece que não foi bem isso que aconteceu.

O Império do Amor começou o ano nas páginas policiais. Adriano e Wagner Love acusados de agressões e envolvimento com o tráfico de drogas. Mesmo assim, ambos tinham foro privilegiado, tanto da diretoria como da torcida (me incluo nisso). Em seguida veio o pior e mais nojento dos casos, o do goleiro Bruno.

O Flamengo que tinha tudo para ser a sensação deste ano, vinha passando por sérias turbulências e nem a chegada do deus Galinho de Quintino deu jeito. Mais uma vez confesso que botava muita fé no trabalho de Zico, que apesar da fama de pé frio, sempre me pareceu uma pessoa correta e séria, mas até agora não disse a que veio.

As apresentações de Deivid e Diogo que devem acontecer no início desta semana não me animam muito. Nunca ouvi falar deles, e espero que eles me provem e à toda a nação que são realmente a salvação da lavoura. Porque senão, vamos amargar mais um ano lutando para não chegar na Zona de Rebaixamento.

sábado, 21 de agosto de 2010

Pra antes da balada de sábado à noite

Amor, Meu Grande Amor
Barão Vermelho
Composição: Angela Ro Ro e Ana Terra

Amor, meu grande amor
Não chegue na hora marcada
Assim como as canções
Como as paixões
E as palavras...

Me veja nos seus olhos
Na minha cara lavada
Me venha sem saber
Se sou fogo
Ou se sou água...

Amor, meu grande amor
Me chegue assim
Bem de repente
Sem nome ou sobrenome
Sem sentir
O que não sente...

Pois tudo o que ofereço
É, meu calor, meu endereço
A vida do teu filho
Desde o fim, até o começo...

Amor, meu grande amor
Só dure o tempo que mereça
E quando me quiser
Que seja de qualquer maneira...

Enquanto me tiver
Que eu seja
O último e o primeiro
E quando eu te encontrar
Meu grande amor
Me reconheça...

Pois tudo que ofereço
É, meu calor, meu endereço
A vida do teu filho
Desde o fim até o começo...

Amor, meu grande amor
Que eu seja
O último e o primeiro
E quando eu te encontrar
Meu grande amor
Por favor, me reconheça...

Pois tudo que ofereço
É, meu calor, meu endereço
A vida do teu filho
Desde o fim até o começo...(

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Quero mais

sabe quando a pessoa entra no próprio blog pra ver se tem novidade pelo simples fato de não conseguir lembrar da última vez que escreveu? Pois bem, me falta tempo mas sobra vontade de escrever. Por isso vou esperar assistir A Origem amanhã pra contar as novidades... Já tô devendo Encontro Explosivo mesmo...

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Sonhei

Hoje acordei com um sorriso nos lábios. Com uma sensação boa. Tudo por causa de um sonho. Os sonhos são um pouco alucinógenos. Nos trazem belas sensações.

Este sonho, especificamente, não foi nada demais. Foi apenas a realização de um sonho. A presença de quem se ama, com o brilho no olhar de quem se apresenta como a solução de seus problemas.

Talvez houvesse um sonho melhor pra se ter. Um tipo a construção de um Nelorean. Para diminuir a diferença entre esse sonho de hoje e os anos de realidade...

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Obrigado por nada

E eis que Cazuza me brinda com mais uma pérola de sua coleção. Essa diz muito do que sinto hoje. Ah, a música é dele e de Zé luiz.

Obrigado
Por ter se mandado
Ter me condenado a tanta liberdade
Pelas tardes nunca foi tão tarde
Teus abraços, tuas ameaças

Obrigado
Por eu ter te amado
Com a fidelidade de um bicho amestrado
Pelas vezes que eu chorei sem vontade
Pra te impressionar, causar piedade

Pelos dias de cão, muito obrigado
Pela frase feita
Por esculhambar meu coração
Antiquado e careta
Me trair, me dar inspiração
Preu ganhar dinheiro

Obrigado
Por ter se mandado
Ter me acordado pra realidade
Das pessoas que eu já nem lembrava
Pareciam todas ter a tua cara

Obrigado
Por não ter voltado
Pra buscar as coisas que se acabaram
E também por não ter dito obrigado
Ter levado a ingratidão bem guardada

Pelos dias de cão, muito obrigado
Pela frase feita
Por esculhambar meu coração
Antiquado e careta
Me trair, me dar inspiração
Preu ganhar dinheiro

domingo, 1 de agosto de 2010

Um dia...


Um dia a saudade vai embora, e quando esse dia chegar, alguém muito especial vai aparecer. Alguém que vai vir sem falsas promessas nem cobranças. Alguém que vai pensar em viver cada fase da vida sem se prender aos tempos de crianças. Alguém que vai pensar em ter novas crianças, e dar a elas uma casa como porto seguro.

Uma hora as coisas ruins passam, e as boas também. Mas até lá, os altos e baixos vão ensinando e mostrando o melhor caminho. Nada de falsas esperanças. Nada de ilusões passageiras. Nada de expectativas vazias....

Como pode tudo mudar num turbilhão cheio de cinzas e restos de tempos tão bons? Como pode o sentimento deixar de sentir? Como pode as promessas se esvaírem assim? O verdadeiro amor não faz promessas. Ele chega e se deixa ficar. E sua presença é tão, por si só, completa, que faz com que a gente queira eternizar o momento.

Ainda acredito no amor. Mas não em quem o declara, e sim no amor indeclarável. Naquele que se apresenta no momento certo. Na hora em que a gente precisa. Esse é um amor que eu espero.

Pause


Quando as feridas ainda não cicatrizaram tudo é motivo para começar a sangrar de novo. Só pra justificar a ausência de alguns dias, nada que uma semana não resolva. Em breve, cometários sobre Encontro Explosivo...

segunda-feira, 26 de julho de 2010

The book is on the table

Confesso que não dei muita sorte com relação aos filmes escolhidos nesse fim de semana, que começou na sexta e só terminou hoje. Nenhum deles merece uma classificação, pelo menos, legal. Todos foram reprovados nos quesitos mais simples.

O primeiro foi Awake, a vida por um fio. O que tinha tudo para ser uma boa história foi contado de forma aleatória, sem a devida importância de um bom final. Hayden Christensen , como Clayton, não convence nem como o jovem manipulado pela mãe, nem como o sofredor doente a espera de um transplante, menos ainda como alguém que descobre uma traição daquele tamanho. Enfim, filme fraco, que pra mim valeu muito mais pelo ambiente e o clima no qual o assisti.

O segundo foi Efeito Cascata. Filme que comprei pra completar aqueles 4 por R$10 e levar o conjunto completo. O que me chamou atenção foi a foto de Forest Whitaker na capa. Confesso que sou fã do ator há muito tempo e ele me convenceu a ir até o final. Parei de assistir por três vezes o DVD por pura falta de sentido.

A história tem uma narrativa extremamente apressada, tomadas que mais lembram imagens de férias com a família. Philippe Caland, não convence como o designer de modas e seu sotaque por muitas vezes cansa a narrativa. A forma de mostrar como tudo está ligado, como cada coisa tem uma conseqüência e que Deus tem planos maiores para cada um de nós, cabe a nós esperar pela solução, é a única coisa que se salva.

E por fim, resolvi assistir o Livro de Eli. Mais uma vez, foi Denzel Washington que me empurrou a ir até o final. Dormi por três vezes durante o filme. Lindo como sempre e com uma bela atuação, Denzel também peca quando exagera nas tomadas de luta. Lutas inacreditáveis, diga-se de passagem. Gostaria muito de saber porque os produtores ainda usam como recurso colocar o mocinho para lutar com até 10 caras de cada vez, sendo que os figurantes que entram nesse tipo de cena, sempre ficam à espera de que acabe a luta de um para que come a sua.

Filmes para se assistir apenas quando não houver nada mais a fazer. Apenas isso. Diversão vazia e sem graça.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Amigos

Em homenagem ao dia do amigo, republico aqui essa matéria pescada do site da Super Interessante. Bancando o advogado do diabo, a matéria traz arqgumentos bem bacanas sobre os dois aspectos.

Eu, particularmente, acredito em amizade entre homens e mulheres. Só acho que, quando há um casal já formado, é preciso que os dois conheçam essa terceira pessoa para evitar ciúmes e traições.

Mas lê lá que é bem mais legal.

A morte tem justificativa?

Há alguns anos eu fui repórter policial do Diário de Natal. Sou bem influenciável e ver todas aquelas tragédias diariamente estavam acabando comigo. Por isso resolvi pedir pra sair, e como não me deixaram trocar de editoria, pedi pra sair do jornal mesmo. Foram dois anos entre Cidades e Polícia, e um caso me marcou muito: o assassinato da dona de casa Andréa.

Ela foi morta pelo companheiro, um sargento da aeronáutica que negou qualquer participação no crime até o dia em que o corpo da mulher foi descoberto enterrado no quintal da sua casa. Todos nós, repórteres policiais, nos envolvemos bastante com a história. Os requintes de crueldade como tê-la escondido na geladeira da casa, e enterrado o corpo duas vezes, sendo uma no quintal da casa em que a filha de ambos, de apenas um ano dormia, foi extremamente chocante.

Lembrei dessa história depois que os detalhes da morte da modelo Eliza Samudio começaram a vir a tona. Por enquanto o crime é tratado como desaparecimento, pois sem corpo não há crime. Essa foi uma das coisas que descobri ao participar da cobertura das investigações da morte de Andrea. O delegado responsável, o competentíssimo Raimundo Rolim, não sossegou enquanto não encontrou o corpo.

Lembro de uma tarde sem pauta, em que meu chefe me pedia novidades sobre o caso, em que eu saí da redação em destino à Cidade Verde, onde a mulher foi assassinada. Encontro então com a equipe do delegado fazendo buscas nas matas que rodeiam o bairro. É incrível como eles não descansaram até encontrar. Depois, ao fazer até amizades entre os policiais, ouvíamos histórias de vários deles que sonhavam com o caso e com a vítima tentando apontar onde estaria seu corpo.

Outra coisa que me faz achar semelhanças entre os casos é a presença de uma criança no caso. Na história de Andrea que havia sido empregada na casa da família do então marido, a ameaça de levar a criança para longe após o preconceito da família se tornar insuportável, foi o estopim. No caso de Elisa, o fato dela ter participado de programas e filmes pornográficos foi usado por alguns para quase “justificar” a morte.

Eu acredito que todos somos assassinos em potencial. É. A raiva faz de nós seres irracionais em alguns momentos da vida. Mas é o que fazemos depois deste ano que nos diferencia. Cortar uma pessoa em pedaços e servi-la aos cachorros, guardar sua mulher na geladeira, enterrá-la em uma área militar, desenterrar e enterrar de novo no quintal de casa. Isso sim é o grande crime.

Sem contar que tais crimes foram cometidos por pessoas em quem elas confiavam, chegando até mesmo a viver sob o mesmo teto (nesse caso muito mais Andrea que Elisa).

Até quando vamos ver barbáries desse tipo serem punidas de forma tão branda? Andrey, o sargento, ainda não foi julgado e cumpre prisão preventiva na base aérea. Bruno, sabemos que a força do dinheiro irá tirá-lo da cadeia em no máximo 10 anos. As crianças.... Bem, nessas, só conheceremos os danos no futuro.

domingo, 18 de julho de 2010

Amigas, amores e badalação


Fim de semana de comédias românticas. É, já to conseguindo assistir a certos filmes sem me debulhar em lágrimas. Também, não é só de roedeira que se faz um fim de semana, mas também de baculejos, forrós...

Voltando aos filmes, no sábado foi a vez de “Ele não está tão a fim de você”. Perfeito. História legal, que constrói e desconstrói tudo em uma hora e quarenta de filme. Parzinhos românticos, finais felizes, finais nem tão felizes... Ginnifer Goodwin, a Gigi, está perfeita como a representação de todas nós mulheres que ainda sonha com um final feliz. Justin Long, o Alex, é a representação desse sonho. Os dois estão ótimos e roubam a cena dos badalados Ben Afflec, Jennifer Aniston e Scarlett Johansson. A história bem construída e apaixonante. E no final é isso mesmo. É impossível saber se somos regras ou exceções, e a gente perde tanto tempo querendo encontrar o final feliz que não aproveita a felicidade que temos no caminho.

Domingo foi a vez de “Sex and the City”. Amei. Moda, amizade, romance, beleza. O que precisa mais? Nunca foi de acompanhar as histórias das meninas na série, mas o filme dá uma vontade louca de comprar todos os boxes com todos os DVDs. Na verdade, a gente fica pensando se vai querer um Big, um Steve, um Harry ou um Dante na vida da gente....hehehe Eu acho que, nesse momento, queria um Dante. Inferno por inferno, melhor bem acompanhada...

PS.: Desculpem se as análises estão mais pra diário de bordo. É uma fase que parece tá perto do fim.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

SHREK NUNCA MAIS


Por que as pessoas são tão contra a ensinarmos as crianças músicas como atirei o pau no gato que, de certa forma, incentivam a violência e não contra aos contos de fada? Esclareço meu ponto de vista. Contos de fada não existem. Não há final feliz. O felizes para sempre é uma grande mentira. Por que criarmos as pessoas em histórias que não são reais?

Um exemplo de algo que tentou desconstruir o mundinho falso dos contos de fadas foi SHREK. Nas primeiras produções tudo ia muito bem, obrigado. Entretanto o último filme da série, SHREK PARA SEMPRE retorna ao ponto de partida e prega as mesmas coisas que combatia no início.

A história é das mais fracas, e o humor sarcástico dos primeiros filmes simplesmente desapareceu nessa história. Dessa vez os autores voltaram para o lugar comum de o amor sempre vence no final e não há lugar como o nosso lar, e depois esqueceram que o felizes para sempre era só um detalhe.

Enfim, falando pessoalmente, me identifiquei hora com Fiona e hora com o próprio Shrek.Vezes confusa como um, vezes como o outro. Nunca feliz como os dois...

sábado, 10 de julho de 2010

A vida é pra valer, a vida é pra levar



Há muitos anos uma pessoa que foi muito especial pra mim me apresentou Cazuza. No início eu relutei, achava “exagerado” demais, peado demais. Mas aos poucos, a poesia do poeta louco e inconseqüente que morreu no auge da sua vida criativa, me conquistou. Cazuza passou a ser um dos meus preferidos. Por conseqüência também conheci o Barão Vermelho e fui com tudo.

Cazuza me ensinou a pedir piedade, a contar mentiras sinceras, a viver a sorte de um amor tranqüilo, só não me ensinou a esquecer que já fui a flor e o bebê de alguém muito especial.

Até hoje adoro ouvir, mas às vezes as lembranças sufocam mais que esperava e preciso fugir.

Nesta semana completou 20 anos da partida do poeta que muito tinha de um outro poeta, esse, mais conhecido por poetinha. O grande Vinícius de Moraes. Vinícius foi outro que demorou a me conquistar. Só de saber que ele tinha feito oito casamentos, o meu lado conservador me dizia que ele era um mau caráter.

Só ao assistir o documentário sobre sua vida e perceber que mesmo depois de vários anos ele ainda era a maior paixão de todos que conviveram com ele, homens e mulheres.

É muito difícil conviver com pessoas apaixonadas pela vida como Cazuza e o branco mais preto do Brasil, Vinicius de Moraes. São pessoas intensas e que não medem esforços para ser felizes. Gostaria de ser assim, não sou.

Queria apenas a mesma vida de sempre, ao lado de quem escolhi pra chamar de meu, e a concretização dos planos que os outros fizeram pra mim.

Talvez um dia eu aprenda a ser feliz como eles. Hoje só ergo um brinde aos que beberam e foram felizes.

domingo, 4 de julho de 2010

Galera, eleição dia 7, votem nessa galera que vem com vontade

Chapa - EM DEFESA DA PROFISSÃO

Presidente – Nelly Carlos
Secretário – Breno Perruci
Comunicação e Cultura – Ana Paula Costa e Sergio Vilar
Formação Política – Jan Varela e Rudson Pinheiro
Interior – Raildon Lucena
Tesoureiro – Canindé Soares
Conselho Fiscal: Alexandre Othon, Bruno Rebouças, Ciro Ney e Iano Flávio

Texto de apresentação

Próxima quarta-feira (07) os profissionais do jornalismo no Rio Grande do Norte terão a oportunidade de eleger sua representação sindical votando na nova diretoria do SINDJORN. Depois de 2 anos à frente da gestão que procurou reconstruir o nosso sindicato, Nelly Carlos em conjunto com um grupo de jovens jornalistas, busca dar continuidade à gestão e aprofundar nas melhorias que foram conquistadas nesse período.

Sabemos que o Supremo Tribunal Federal (STF) acataram os senhores da mídia que trabalham pela desvalorização da profissão e puseram fim ao direito à regulamentação profissional com a derrubada do inciso V do artigo 4º do Decreto-Lei 972 de 1969 (que previa a obrigatoriedade do diploma). Os Ministros do STF justificam a mais absoluta ignorância do assunto ao confundir e igualar a liberdade de expressão e o exercício profissional do jornalismo.

Temos que reagir a esse cenário e reconquistar nossa identidade profissional, enfrentar o fogo cerrado do patronato, disposto a nos desmobilizar e enfraquecer; reagrupar e aglutinar uma categoria fragmentada, dispersa por ambientes de trabalho variados. É esse o papel que o SINDICATO DOS JORNALISTAS PROFISSIONAIS DO RIO GRANDE DO NORTE – SINDJORN deve ter.

Com esse espírito construímos a chapa “Em Defesa da Profissão”, que se propõe a reafirmar a importância de um profissional de Jornalismo formado, qualificado em sala e nos bancos da universidade, nas redações e relações com os profissionais mais antigos e qualificados.

Nós da chapa “Em Defesa da Profissão” entendemos que o SINDJORN precisa assumir seu papel de liderança entre o movimento dos jornalistas do nosso Estado. Para isso propomos ampliar a luta pela regulamentação profissional, de modo não só a retomar os pontos suprimidos pela decisão do STF (como a qualificação superior e a definição das funções jornalísticas), mas também a avançar na garantia das condições adequadas para a produção de um jornalismo de qualidade.

O SINDJORN deve ter como prioridade a luta pela reconquista da obrigatoriedade do diploma em jornalismo, cuja principal tarefa imediata é a mobilização pela aprovação das Propostas de Emenda Constitucional 33/09 e 386/09, que instituem novamente a exigência da formação específica.

Da mesma forma, o SINDJORN precisa colocar-se na linha de frente da luta por maior qualidade dos cursos de jornalismo, se aproximando das faculdades e universidades; valorizando o corpo docente qualificado e laboratórios equipados.

Para ficar claro
Os maiores interessados na derrubada do diploma e da regulamentação sempre foram e continuam sendo os senhores da mídia, os donos dos grandes jornais diários e emissoras de rádio e TV que atuaram sem descanso para que fôssemos derrotados no STF.

Sindicalização já!
Hoje, a maior parte dos jornalistas empregados nas redações, assessorias e portais encontra-se fora dos sindicatos e precisamos trazer esses trabalhadores para dentro do sindicato. Precisamos sindicalizar esses colegas, incorporá-los ao movimento, fazer com que participem da luta por melhores condições de trabalho e pela regulamentação profissional.

Democratizar a Comunicação
O SINDJORN também deve atuar como protagonista ativo na luta pela democratização da comunicação social, o que implica colocar em pratica as resoluções tiradas na 1ª Conferência Nacional de Comunicação (CONFECOM).

Saiba o que a gestão de Nelly Carlos fez à frente do SINDJORN:

- A atual diretoria reformou a sede do Sindicato de modo a proporcionar qualidade no atendimento aos sociais;
- A atual diretoria promoveu a festa dos 30 anos do SINDJORN, evento com grande repercussão que contou com a presença do presidente da Fenaj, Sergio Murilo;
- A atual diretoria participou de uma série de eventos nacionais como ENJAC, CONFECON e outros;
- A atual diretoria esteve constantemente nas redações das tv’s, jornais e portais acompanhando questões jurídicas dos jornalistas sindicalizados e não sindicalizados;
- A atual diretoria promoveu perante o atual acordo coletivo um ganho e a unificação do piso salarial.
- A atual diretoria participou como jurada de prêmios e concursos de jornalismo que valorizaram a profissão.
- A atual diretoria organizou as contas do sindicato, atualizando os débitos financeiros dos funcionários do sindicato.

PROPOSTAS:

Financeiro:
- Realizar uma ampla campanha de filiação e de quitação dos débitos dos filiados já sindicalizados, com a presença dos diretores e funcionários do sindicato nas redações das tv’s, jornais e portais; e em contato com os que estão fora dela, como freelancers e assessores de imprensa.
- Continuar oferecendo ao associado assessoria jurídica e contábil ao associado.
- Regularizar a situação da sede do sindicato como patrimônio da categoria.

Comunicação e cultura:
- Criar o boletim eletrônico do sindicato.
- Atualizar o site do SINDJORN como ferramenta de informação e mobilização dos associados.
- Criar um espaço de convivência na sede do sindicato com internet e happy hours mensais para interação e socialização da categoria.
- Criar a galeria de foto de ex-presidentes (Galeria Rogério Cadengue – 1º sócio-fundador)

Formação e organização político-sindical:
- Promover eventos que apóiem a formação profissional, técnica e critica dos jornalistas.
- Promover o Congresso Estadual dos Jornalistas, em Mossoró.
- Organizar o Encontro Nacional dos Jornalistas em Assessoria de comunicação que ocorrerá no próximo ano, em Natal.
- Criar uma Delegacia Sindical em Mossoró.
- promover campanha junto aos estudantes com campanhas de pré-filiação.
- Resgatar o delegado sindical de redação.
- Lutar para que TVs Públicas realizem Concurso Público.
- Lutar para que o piso salarial do Rio Grande do Norte entre os maiores do nordeste (atualmente é o 2º menor do Brasil).
- Criar o Plano de Cargas, Carreiras e Salários da categoria.

sábado, 3 de julho de 2010

Continuando

Continuando com as músicas de Mamma Mia! que me enlouqueceram, segue essa, que juro que não foi eu que escrevi...hehehe

É uma composição de Benny Andersson & Björn Ulvaeus e interpretada pelo grupo ABBA.

The Winner Takes It All
I don't wanna talk
About the things we've gone through
Though it's hurting me
Now it's history
I've played all my cards
And that's what you've done too
Nothing more to say
No more ace to play


The winner takes it all
The loser standing small
Beside the victory
That's a destiny


I was in your arms
Thinking I belonged there
I figured it made sense
Building me a fence
Building me a home
Thinking I'd be strong there
But I was a fool
Playing by the rules


The gods may throw a dice
Their minds as cold as ice
And someone way down here
Loses someone dear
The winner takes it all.
The loser has to fall
It's simple and it's plain.
Why should I complain.


But tell me does she kiss
Like I used to kiss you?
Does it feel the same
When she calls your name?
Somewhere deep inside
You must know I miss you
But what can I say
Rules must be obeyed


The judges will decide
The likes of me abide
Spectators of the show
Always staying low
The game is on again
A lover or a friend
A big thing or a small
The winner takes it all


I don't wanna talk
If it makes you feel sad
And I understand
You've come to shake my hand
I apologize
If it makes you feel bad
Seeing me so tense
No self-confidence
But you see
The winner takes it all
The winner takes it all...


Someone dear...
Takes it all...
The loser ...
Has to fall...
Throw a dice...
As cold as ice...
Someone way down here...
Someone dear...
Takes it all...
O Vencedor Leva Tudo
Eu não quero conversar,
Sobre as coisas que nós passamos
Embora isso me machuque,
Agora é passado
Eu joguei todas as minhas cartas,
E foi o que você fez também
Não há mais nada a dizer,
Nenhum ás a mais a jogar


O vencedor leva tudo,
O perdedor fica menor
Ao lado da vitória,
Está o seu destino


Eu estava em seus braços,
Achando que ali era o meu lugar
Eu achava que fazia sentido,
Construindo-me uma cerca
Construindo-me um lar
Achando que seria forte lá
Mas fui uma tola,
Jogando conforme às regras


Os deuses podem jogar um dado,
Suas mentes são tão frias quanto gelo
E alguém bem aqui embaixo,
Perde alguém querido
O vencedor leva tudo,
O perdedor tem que cair
É simples e está claro,
Por que eu deveria lamentar?


Mas diga-me se ela beija,
Como eu costumava te beijar?
Mas diga-me se é a mesma coisa,
Quando ela o chama?
Em algum lugar bem profundo,
Você deve saber que eu sinto a sua falta
Mas o que eu posso dizer?
As regras tem de serem obedecidas


Os juízes decidirão,
As coisas boas da minha vida,
Os espectadores do espetáculo,
Sempre ficam quietos
O jogo começa de novo,
Um amigo ou amante?
Uma pequena ou uma grande coisa?
O vencedor leva tudo


Eu não quero conversar,
Se isso te deixa triste
E eu entendo,
Você veio me dar um aperto de mão
Peço desculpas,
Se isso faz você se sentir mal
Ao me ver tão tensa
Sem auto-confiança
Mas você compreende
O vencedor leva tudo...
O vencedor leva tudo...


Alguém querido...
Leva tudo...
E o perdedor...
Tem que cair...
Lance um dado...
Frio como gelo...
Bem aqui embaixo...
Alguém querido...
Leva tudo...

É melhor morrer como um herói que viver como um monstro


Confesso que ao escolher a Ilha do Medo para assistir meu maio incentivo era assistir ao meu amado Marck Ruffalo, ao lado de Leo di Caprio, mas tive uma grata surpresa. No início o filme pecou pelos excessos em relação a trilha sonora, querendo criar um clima de suspense já nas primeiras cenas.

Mas a forma como a narrativa vai sendo construída é realmente surpreendente e o expectador vai se envolvendo na história a ponto de achar que também está usado como cobaia numa experiência nazista.

Foge também dos padrões de filmes com 1h35 a 1h45, você não sabe a que horas aquilo vai acabar. É realmente assustador e ao mesmo tempo envolvente. Esse foi o primeiro filme de Martin Scorsese que assisti, mas procurarei o mais rápido possível por outros nomes, pois realmente acho que já posso colocá-lo ao lado do meu ídolo Quentin Tarantino.

Ah, e se quiserem entender o título aí em cima, vão ter que esperar pela última cena do filme.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Bom voltar a sonhar


Faz tempo que não apareço por aqui, mas tudo é justificado pelo excesso de trabalho que as novas responsabilidades me trazem. Nada para reclamar, só para justificar.

As leituras estão um pouco esparsas. Mas o último foi o clássico de Lewis Carrol, Alice no país das maravilhas. Muitíssimo melhor que o filme de Tim Burton em 3D que eu esperei mais de um ano ansiosamente. O livro sim tem muito daquele filme que adorava ver reprisar na sessão da tarde. Mais até do que os Goonies.

Bom, em termos de filme, que é o assunto desse texto, somente nesta última semana estou conseguindo retomar a freqüência que gostaria. E dei sorte. Apesar de estar passando longe das comédias românticas os dois últimos filmes que vi foram comédias. E que valeram muito a pena.

O primeiro deles foi o maravilhoso Queime depois de ler, dos irmãos Coen. O filme simplesmente é uma sátira extremamente bem humorada sobre a falta de parâmetros da sociedade norte americana com o fim da Guerra Fria, com pitadas de humor típico que traduz os conceitos da classe média de Tio Sam, como a ditadura da beleza.

As atuações de Brad Pitt e George Clooney como Chad Feldheimer e Harry Pfarrer, respectivamente, estão simplesmente sensacionais. Os diálogos, o elenco e a história. Tudo é elogiável neste filme. Tem roteiro, ritmo e um time de artistas que merecem aplausos de pé.

Em seguida assisti Mama Mia!. Há tempos queria ver este filme, mas as várias “lojas de genéricos” que eu freqüentava estavam me devendo essa. Felizmente foi com ele que inaugurei meu novo DVD. Como uma boa apaixonada pela dança (e por conseguinte por música) ver um musical como esse foi simplesmente estonteante.

Meryl Streep, que já havia arrancado suspiros de minha parte em Its Complcated, dessa vez apareceu ainda mais à vontade, linda e Diva como Donna Sheridan. A parte ruim é apenas o final altamente previsível e a formação dos “parzinhos” tradicionais.

A trilha sonora é um caso à parte. Espero postar aqui letra e tradução da maior parte das músicas que neste momento dizem muito da minha alma. Aos poucos e fiéis seguidores deste espaço aconselho: assistam os dois, riam e lavem a alma. Porque nada vida é melhor que ter amigos e ser feliz ao lado deles!

Ah, a trilha do filme é quase toda do grupo ABBA.

Dancing Queen
You can dance
You can jive
Having the time of your life
See that girl
Watch that scene
Digging the Dancing Queen

Friday night and the lights are low
Looking out for the place to go
Where they play the right music
Getting in the swing
You come to look for a King

Anybody could be that guy
Night is young and the music's high
With a bit of rock music
Everything is fine
You're in the mood for a dance
And when you get the chance...

You are the Dancing Queen
Young and sweet, only seventeen
Dancing Queen
Feel the beat from the tambourine Oh Yeah!

You can dance
You can jive
Having the time of your life
See that girl
Watch that scene
Digging the Dancing Queen

You're a teaser, you turn them on
Leave them burning and then you're gone
Looking out for another, anyone will do
You're in the mood for a dance
And when you get the chance...

You are the Dancing Queen
Young and sweet, only seventeen
Dancing Queen
Feel the beat from the tambourine Oh Yeah!

You can dance
You can jive
Having the time of your life
See that girl
Watch that scene
Digging the Dancing Queen

Rainha da Dança
Você pode dançar,
Você pode se esbaldar
Se divertindo como nunca
Veja essa garota,
Assista essa cena
Virando a Rainha da Dança

Noite de sexta-feira e as luzes estão fracas
Procurando um lugar para ir
Onde toquem a música perfeita
Entrando no balanço
Você vem procurar um Rei

Qualquer um poderia ser aquele cara
A noite é uma criança e a música está alta
Com um toque de rock
Tudo está bem
Você está a fim de dançar
E quando você consegue a chance...

Você é a Rainha da Dança
Jovem e doce, apenas dezessete anos
Rainha da Dança
Sinta a batida do tamborim, oh sim!

Você pode dançar,
Você pode se esbaldar
Se divertindo como nunca
Veja essa garota,
Assista essa cena
Virando a Rainha da Dança

Você é uma provocadora, você os excita
Deixa-os em chamas e então vai embora
Procurando por outro , qualquer um serve
Você está a fim de dançar
E quando você tem a chance...

Você é a Rainha da Dança
Jovem e meiga, com apenas dezessete anos
Rainha da Dança
Sinta a batida do tamborim

Você pode dançar,
Você pode se esbaldar
Se divertindo como nunca
Veja essa garota,
Assista essa cena
Virando a Rainha da Dança Virando a Rainha da Dança

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Um ano sem o diploma de jornalista

Recebi o texto por e-mail e publico aqui. A opinião contida nessa texto externa minha sensação quanto ao fim da obrigatoriedade do diploma de jornalista, profissão que abracei e que tanto estimo. Nunca consegui escrever algo parecido, por isso, peço licença ao autor para fazer minhas suas palavras.


Um ano sem o diploma de jornalista

(e a mídia só faz piorar)

Pedro Pomar
Candidato a Presidente da Fenaj pela Chapa 2 - Fenaj

Faz um ano que o Supremo Tribunal Federal cassou a obrigatoriedade do diploma de jornalista para o exercício da profissão. A decisão representou um dos pontos mais baixos da história da instituição que deveria ser, em tese, a mais preparada para ministrar a justiça em nosso país. O patronato, pela voz de seus representantes mais célebres — Organizações Globo, Editora Abril, Folha de S. Paulo, Estadão, Sociedade Interamericana de Prensa (SIP) — aplaudiu.
É verdade que não foi nem a primeira, nem a última vez que o STF atende aos anseios das oligarquias em detrimento da sociedade. Certamente não esqueceremos o recente perdão que concedeu aos crimes da Ditadura Militar e aos agentes públicos que os cometeram. Uma deliberação política, absolutamente odiosa, verdadeiro atentado contra a Humanidade.
No julgamento de 17/6/2009, os ministros do STF demonstraram profunda ignorância, aliada a uma certa dose de má fé, quando encamparam as alegações do patronato contra a exigência legal do curso superior de jornalismo como condição para o exercício da profissão de jornalista.

Os patrões, é bom destacar, não se limitaram a discursar contra o diploma como sempre fizeram. O Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão do Estado de São Paulo (Sertesp) juntou-se ao procurador André Ramos, do Ministério Público Federal em São Paulo, autor da ação civil pública contra a União, e ambos impetraram recurso no STF contra decisão do Tribunal Regional Federal da 3a região favorável ao diploma.

O principal “argumento” dos ministros, com base no arrazoado do procurador, é de que o diploma fere as liberdades de expressão e de manifestação do pensamento e a liberdade do exercício profissional (previstas no artigo 5º da Constituição Federal).

É intrigante: no país que abriga um dos mais poderosos, modernos e concentrados sistemas de mídia do mundo, em que cerca de 90% da produção de bens culturais e simbólicos — inclusive os produtos jornalísticos — estão sob controle de uma dezena de grandes grupos empresariais (e um único deles, as Organizações Globo, responde sozinho por 70% do setor), o STF resolveu que é o diploma de jornalista que fere a liberdade de expressão...

Ora, quando falamos em “liberdade de expressão” vamos muito além do jornalismo. A produção e o consumo de informações jornalísticas são apenas parte da esfera da comunicação social. A expressão humana, ou seja, todo tipo de manifestações que caracterizam a comunicação social, é algo muito mais amplo do que a produção de informações de natureza jornalística. Há uma enorme variedade de manifestações de toda ordem (dialógicas, pedagógicas, artísticas, científicas), autônomas ou veiculadas pelos meios de comunicação, que não têm qualquer relação direta com o jornalismo.

Apartheid social

Por outro lado, o jornalismo também comporta uma enorme quantidade de manifestações de não jornalistas. Mesmo assim, este espaço deveria, sim, ser mais democrático, mais plural, mais aberto ao contraditório. Acontece que não é o diploma de jornalismo que faz da mídia comercial, hegemônica, um carrasco da liberdade de expressão, e sim o caráter oligárquico desses jornais, revistas e emissoras (de rádio e TV) sempre preocupados em perpetuar o apartheid social existente no Brasil.

São os proprietários da mídia comercial, e não os jornalistas enquanto categoria profissional, os principais responsáveis pela censura e pelo cerceamento da liberdade de expressão no Brasil. Será que a mídia melhorou após a cassação do diploma de jornalista? A liberdade de expressão afirmou-se no jornalismo brasileiro, livre que está do diabólico diploma? Não, definitivamente não!

Vejamos alguns fatos pós-17/6/2009:

1- A reforma editorial da Folha de S. Paulo incluiu o expurgo de alguns dos melhores colunistas do jornal, entre eles Paulo Nogueira Batista Jr., economista que é um tradicional crítico do neoliberalismo. Paulo Nogueira ficou sabendo do fim de sua coluna na véspera. “Liberdade de expressão” ou macartismo?

2- O editor da versão brasileira da National Geographic criticou, em seu blog pessoal, matéria da revista Veja que distorceu considerações de um antropólogo sobre comunidades indígenas. Ambas as publicações pertencem à Editora Abril. O jornalista da National Geographic foi imediatamente demitido. “Liberdade de expressão” ou truculência?

3- O reajuste de 7,7% nos benefícios do regime geral da Previdência Social, para os aposentados que recebem mais de um salário mínimo, decidido pelo Congresso e sancionado por Lula, foi tratado por alguns veículos na base do deboche e da chacota, como mero expediente eleitoral, desconsiderando-se, assim, a luta travada durante anos a fio pelos aposentados e por alguns parlamentares contra o “fator previdenciário” e o arrocho que levou, historicamente, a enormes perdas nos valores recebidos. “Liberdade de expressão” ou dirigismo editorial?

O diploma, ou seja, o curso superior específico de jornalismo, não garante sozinho a qualidade do jornalismo praticado, mas é um dos fatores que contribuem para tanto. Inversamente, sua supressão tenderá a piorar as coisas. Incidentes como os descritos acima vão multiplicar-se num ambiente em que caberá aos patrões não só escolher quem trabalhará em suas empresas midiáticas, mas também “formar” a seu bel prazer os escolhidos, conforme os padrões mercantis, avessos à ética jornalística e ao compromisso com a sociedade.