Modestos comentários sobre livros e filmes de uma jornalista que não tem pretensão alguma de virar crítica...
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Orgulho define
Outro dia fui eu almoçar com meu amigo Sérgio Vilar no bar de Nazaré. O velho peixinho que acabou sendo substituído pelo do Pernambuco, no Canto do Mangue, era o cardápio do nosso encontro semanal. Na mesa em que encontro Sérgio está o artista plástico Vatenor, que divide comigo uma cerveja, já que Sérgio insiste que ainda vai trabalhar de tarde.
No meio da conversa Vatenor, que serviu com meu pai no Rio de Janeiro como fuzileiro naval em 1970, sempre me pergunta por ele. Dessa vez ele teve que localizar Sérgio na conversa. E contou que ele era o pobre da turma, dizendo que meu pai vinha de uma família de sargentos fuzileiros navais.
Ao contar a definição ao meu pai ouvi dele o mesmo que eu tinha pensado, mas não quis dizer assim na cara pra não desdenhar. Afinal, não é pouco três irmãos saírem de Currais Novos, venderem cocada em Natal para ajudar a família e terminarem a carreira como tenentes da Marinha. Além dos meus dois tios, tive também meu padrinho, marido de uma tia por parte de mãe compondo a família militar.
Pois bem, toda essa introdução somente para falar do quão fiquei orgulhosa essa semana ao saber que meu primo-irmão Paulo César será o primeiro potiguar a comandar a base da Marinha na Antártida.
Toda essa família tinha que ter uma continuidade. E ele, oficial piloto de helicóptero, capitão de corveta da marinha, vai ser mais uma vez o orgulho de todos nós.
Sei que devido aos tempos duros da ditadura muita gente ficou com uma péssima imagem dos militares, mas por ter vivido tanto tempo entre tantos deles, até porque morei em vila militar e estudei em um colégio militar, sei reconhecer seu valor.
Paulo, aquele primo que passava os finais de semana estudando no meu quarto enquanto estudou no Colégio e na Escola Naval, vai agora ser comandante de uma das unidades mais importantes da Marinha Brasileira. Orgulho define.
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Vai de ônibus?
Quando era mais nova alimentava a ideia de ser escritora. Sempre adorei criar histórias, ou estórias, seja lá como elas são escritas hoje. Fato é que criava minhas obras de ficção, mas as deixava na minha cabeça. Diga-se de passagem, fazia isso com outro dom que também tive quando criança e hoje não domino mais. O de compositora. Talento esse que me fez ganhar vários festivais de música na escolinha em que estudava, mas isso é assunto pra outra (e)história.
Enfim, as obras foram se esfarelando nessa cabeça que ao longo dos anos foi sendo diluída pelo álcool, a idade e as obrigações do dia-a-dia.
Depois que aderi ao automóvel como meio de transporte e abandonei os fervilhantes ônibus foi que percebi como estava perdendo as histórias que realmente poderiam fazer parte do meu futuro literário.
Hoje, dizem os que ainda padecem desse sofrimento (ou seria divertimento), andar de ônibus é quase um suplício devido aos celulares com músicas de altíssima qualidade que pulam das cinturas de pessoas de qualidade ainda mais duvidosa em alto e bom (?) som.
Mesmo assim, ainda sinto falta de passar aquelas horas diárias ouvindo os desabafos de namoradas traídas, trabalhadores atrasados inventando mentiras para os chefes, homem contando “goga” pros amigos, trocador se lamentando da falta de educação do povo, enfim. Histórias que se bem observadas nos levam a viagens interessantes.
Mesmo que digam que o trânsito causa estresse, vos confidencio que o ônibus me estressava mais. Não porque eu ficasse preocupada com atrasos ou com o aperto dentro do coletivo, mas porque eu me envolvia com as histórias alheias. Sentia vontade de tentar solucioná-las, de opinar. E acho que, por isso mesmo, evitava falar delas.
Pois tudo isso era pra dizer que tentarei mais uma vez ressuscitar este humilde blog com algumas histórias cotidianas que me dê vontade de escrever. Quem sabe da próxima vez que você passar por aqui tenha coisa nova e interessante pra ler.
Enfim, as obras foram se esfarelando nessa cabeça que ao longo dos anos foi sendo diluída pelo álcool, a idade e as obrigações do dia-a-dia.
Depois que aderi ao automóvel como meio de transporte e abandonei os fervilhantes ônibus foi que percebi como estava perdendo as histórias que realmente poderiam fazer parte do meu futuro literário.
Hoje, dizem os que ainda padecem desse sofrimento (ou seria divertimento), andar de ônibus é quase um suplício devido aos celulares com músicas de altíssima qualidade que pulam das cinturas de pessoas de qualidade ainda mais duvidosa em alto e bom (?) som.
Mesmo assim, ainda sinto falta de passar aquelas horas diárias ouvindo os desabafos de namoradas traídas, trabalhadores atrasados inventando mentiras para os chefes, homem contando “goga” pros amigos, trocador se lamentando da falta de educação do povo, enfim. Histórias que se bem observadas nos levam a viagens interessantes.
Mesmo que digam que o trânsito causa estresse, vos confidencio que o ônibus me estressava mais. Não porque eu ficasse preocupada com atrasos ou com o aperto dentro do coletivo, mas porque eu me envolvia com as histórias alheias. Sentia vontade de tentar solucioná-las, de opinar. E acho que, por isso mesmo, evitava falar delas.
Pois tudo isso era pra dizer que tentarei mais uma vez ressuscitar este humilde blog com algumas histórias cotidianas que me dê vontade de escrever. Quem sabe da próxima vez que você passar por aqui tenha coisa nova e interessante pra ler.
Jornalistas do RN, vamos à luta!
Estamos dando mais um passo rumo à valorização profissional do jornalista no Rio Grande do Norte. Nesta terça-feira à noite (13/09, à 19h) vamos nos reunir no auditório do Sindjorn para discutir a pauta de reivindicações e as estratégias da campanha salarial 2011. Mas o que você tem a ver com isso?
Durante muitos anos assumimos sem problemas o título de pior piso salarial do país. Mas o ano passado a indignação de boa parte da categoria mostrou que não estamos dispostos a carregar esse título por muito mais tempo. É verdade que a grande mobilização só ocorreu realmente com um ataque absurdo dos patrões que, entre outras coisas, acabava com a folga semanal e a hora extra.
Pois bem. Já escutei muito entre nossos colegas: mas de que adiantou tanta movimentação se só conseguimos R$ 50? Na minha opinião, conseguimos muito mais que isso. Conseguimos ressuscitar o sentimento de categoria que há muito estava sepultado por nós. Por estarmos nos tornando cada vez mais uma classe de profissionais liberais e menos de trabalhadores assalariados, não sentíamos a necessidade de estarmos juntos.
Além disso, se for levar em consideração apenas o ganho financeiro, também é preciso destacar que alcançamos um reajuste maior que a inflação, com ganho real de 1%. O que pode parecer pouco aos olhos de quem ganha, se for comparado ao restante dos trabalhadores faz diferença.
Apesar de tudo, não estou querendo com isso dizer que a campanha tenha sido 100% vitoriosa. Infelizmente, pontos como o delegado de redação e o auxílio alimentação, que haviam sido colocados por nós no início da campanha como inegociáveis, não foram conquistados.
Acredito eu que a campanha 2010 tenha sido uma grande lição para a diretoria que está se propondo a fazer diferente, e para a categoria como um todo. Isso porque a campanha ganhou as ruas. Tivemos movimentações em vários sinais da cidade e percebemos o quanto as pessoas nos apoiariam. Por que não propor um boicote a determinado jornal impresso ou programa de TV? Precisamos agregar esse apoio ao nosso movimento. Tivemos faixas em jogos de futebol televisionados nacionalmente, e no Carnatal, com divulgação em sites nacionais.
Mas os patrões não estão para brincadeiras. Eles não querem sair como os vilões da história e fizeram nós mesmos abandonarmos a luta. Fizeram com que cada assembleia fosse reduzida, porque as negociações não caminhavam. A tática deles? Simplesmente empurrar as negociações com a barriga. Remarcar inúmeras vezes e nunca negociar na mesa de negociação.
Eu, pessoalmente, defendo a radicalização. Cada reunião remarcada, uma redação fechada.
E pra você, que assim como eu, abandonou a redação pra sobreviver, pense bem: a luta também é sua. Não estamos falando apenas de reajuste salarial, e sim de VALORIZAÇÃO PROFISSIONAL. Um piso justo vai refletir em toda a cadeia produtiva. Seja para editores, diagramadores, fotógrafos ou assessores de imprensa. Participem!
Durante muitos anos assumimos sem problemas o título de pior piso salarial do país. Mas o ano passado a indignação de boa parte da categoria mostrou que não estamos dispostos a carregar esse título por muito mais tempo. É verdade que a grande mobilização só ocorreu realmente com um ataque absurdo dos patrões que, entre outras coisas, acabava com a folga semanal e a hora extra.
Pois bem. Já escutei muito entre nossos colegas: mas de que adiantou tanta movimentação se só conseguimos R$ 50? Na minha opinião, conseguimos muito mais que isso. Conseguimos ressuscitar o sentimento de categoria que há muito estava sepultado por nós. Por estarmos nos tornando cada vez mais uma classe de profissionais liberais e menos de trabalhadores assalariados, não sentíamos a necessidade de estarmos juntos.
Além disso, se for levar em consideração apenas o ganho financeiro, também é preciso destacar que alcançamos um reajuste maior que a inflação, com ganho real de 1%. O que pode parecer pouco aos olhos de quem ganha, se for comparado ao restante dos trabalhadores faz diferença.
Apesar de tudo, não estou querendo com isso dizer que a campanha tenha sido 100% vitoriosa. Infelizmente, pontos como o delegado de redação e o auxílio alimentação, que haviam sido colocados por nós no início da campanha como inegociáveis, não foram conquistados.
Acredito eu que a campanha 2010 tenha sido uma grande lição para a diretoria que está se propondo a fazer diferente, e para a categoria como um todo. Isso porque a campanha ganhou as ruas. Tivemos movimentações em vários sinais da cidade e percebemos o quanto as pessoas nos apoiariam. Por que não propor um boicote a determinado jornal impresso ou programa de TV? Precisamos agregar esse apoio ao nosso movimento. Tivemos faixas em jogos de futebol televisionados nacionalmente, e no Carnatal, com divulgação em sites nacionais.
Mas os patrões não estão para brincadeiras. Eles não querem sair como os vilões da história e fizeram nós mesmos abandonarmos a luta. Fizeram com que cada assembleia fosse reduzida, porque as negociações não caminhavam. A tática deles? Simplesmente empurrar as negociações com a barriga. Remarcar inúmeras vezes e nunca negociar na mesa de negociação.
Eu, pessoalmente, defendo a radicalização. Cada reunião remarcada, uma redação fechada.
E pra você, que assim como eu, abandonou a redação pra sobreviver, pense bem: a luta também é sua. Não estamos falando apenas de reajuste salarial, e sim de VALORIZAÇÃO PROFISSIONAL. Um piso justo vai refletir em toda a cadeia produtiva. Seja para editores, diagramadores, fotógrafos ou assessores de imprensa. Participem!
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
Centro de Turismo volta a ser a casa do Folclore potiguar
Durante o ano inteiro é possível encontrar o folclore potiguar nesse espaço que tem uma das visões mais privilegiadas da orla urbana de Natal. Mas é na semana do folclore que o Centro de Turismo dedica mais atenção aos artistas da terra e promove ainda mais o folclore nas terras de Cascudo. Este ano, inserido no Agosto da Alegria, do governo do estado, o Centro de Turismo está promovendo a exposição Popular x Erudito, com obras de Abraham Palatnik e Inácio Lino, mas não fica por aí.
A grande abertura dos trabalhos da semana do folclore no Centro de Turismo acontece no dia 22, às 9h30, com a apresentação da banda de música da escola municipal Ferreira Itajubá. Em seguida, às 10h, serão abertas as exposições que ficarão à disposição da população na Galeria de Arte Antiga e Contemporânea, no segundo piso do Centro. Além de Popular x Erudito, também haverá exposição de Mestres Potiguares da Pintura Naif e Exposição Coletiva de Escultores Populares do RN. Para fechar o dia com chave de ouro, ocorre, às 16h, a apresentação do Coco de Calemba de São Gonçalo do Amarante.
Mais sobre as exposições
A mostra Popular X Erudito faz um contraponto entre dois grandes nomes da escultura potiguar. Abraham Palatik e Inácio Lino. Palatnik nasceu em Natal e está radicado no Rio de Janeiro onde tem seu trabalho reconhecido internacionalmente. Já Inácio Lino, autodidata nascido em Currais Novos onde até hoje desenvolve seu trabalho, é considerado um dos maiores artesãos do Rio Grande do Norte.
Para o diretor do Centro e um dos idealizadores da exposição, Antônio Marques, a escolha do dia internacional do folclore para a abertura da exposição foi proposital. “Ela tem por objetivo questionar as teorias estéticas que opõem de forma radical, o conceito de ‘arte popular’ ao de ‘arte erudita’. Afinal na sociedade globalizada na qual vivemos não é mais possível pensar esses conceitos como universos opostos”, destacou.
A mostra é composta por 20 miniaturas em resina confeccionadas por Abraham Palatnik e 50 miniaturas manufaturadas em pedra ônix por Inácio Lino. Com o tema centrado na fauna, as referidas esculturas expõem as diferenças entre os artistas mostrando o bom gosto e originalidade de ambos, mas destacando a modelagem de um versus o corte e o entalhe do outro.
Na exposição Mestres Potiguares da Pintura Naif estarão participando artistas como Arruda Sales, Alexandre Ribeiro Cevy, Daniel Macdo, Divaldo Rocha, Dadi, Etelânio, Edilson Araújo, Francisco de Assis, Fábio Eduardo, Fé Córdula, Francisco Iran. Ivanise, Isaías de Acari, Iaperi, Jotó, Kleyton Rolemberg, Lavoisier, Levi, Lourdinete, Nivaldo Rocha, Paixão, Pedro Alves, Roberto Medeiros, Vatenor e Zé Alvez.
Destacamos as obras de Fé Córdula (que será o homenageado pelo Centro de Turismo) e Francisco Iran, ambos premiados no Salão Chico Santeiro que está em exposição no Palácio da Cultura. A arte Naif que está mais ligada a vertentes populares no RN possui grandes nomes que estarão muito bem representados na exposição.
A exposição coletiva de Escultores Populares do Rio Grande do Norte conta com a participação de Aderbal da Praça Pe. João Maria, Ambrósio Córdula, Chico de Mel. de Rita, Dadi, Saniel, Dimas de Acari, Gregório, Ivan do Maxixe, Luzia Dantas, Nicácio, Neném de Chicó, FF de Lima, Gilvan, Geicifran Azevedo, Ramiro Barbosa. Santana, Somba, Santos, Zé Santeiro e Zaia.
Aqui também damos um destaque especial a Luzia Dantas, a vencedora do Salão Chico Santeiro que desde o próprio Chico vem se destacando como o maior nome da escultura no RN.
As exposições ficam abertas até o dia 4 de setembro, todos os dias em horário comercial.
Atrações culturais
A abertura do Dia Internacional do Folclore contará com a participação da Banda de Música da Escola Municipal Ferreira Itajubá. A banda que conta com cerca de 50 integrantes possui um repertório variado que vai da bossa nova ao forró. Ela faz parte de um projeto maior, que abrange cerca de 300 pessoas entre músicos e jovens estudantes ou vizinhos da escola que atuam também no Coral Infantil, na Banda Marcial e na Banda de Metais. Um projeto que já possui 10 anos de sucesso e é coordenado pela professora Lucilene Ferreira de Oliveira.
Encerrando a programação contaremos com a apresentação do Coco de Calemba, grupo folclórico de São Gonçalo do Amarante composto por 18 jovens com idades de 14 a 25 anos e que possui como mestres o grupo da terceira idade Bambelô da Alegria. Os integrantes do Coco de Calemba estiveram recentemente em São Paulo, a convite da Emprotur com o Pastoril e o Boi de Reis representando o estado no 6º Salão de Turismo.
Às 20h, à convite do Projeto Arte Potiguar no Mundo e da Galeria de Arte Antiga e Contemporânea do Centro de Turismo, o arquiteto Carlos Augusto Viana Lira irá proferir uma palestra sobre Arte Popular e Arquitetura. Com mais de 30 anos de profissão e cerca de 600 projetos assinados ao longo da carreira, seus trabalhos lhe renderam reconhecimento tanto no Brasil como no exterior.
O Centro de Turismo
Localizado no tradicional bairro de Petrópolis, o Centro de Turismo de Natal é um dos principais patrimônios históricos da cidade. Já funcionou como Casa de detenção e hoje é um espaço totalmente cultural.
O local é parada obrigatória para turistas e natalenses. Aqui se encontra uma Galeria de artes antigas e contemporâneas, 40 lojas com os mais variados tipos de artesanato, o Marenosso Restaurante com um cardápio variado e um belíssimo visual das nossas praias.
Não é só isso, no Centro de Turismo você também pode assistir apresentações de grupos folclóricos e dançar o tradicional Forró com Turista. Evento que acontece todas as quintas-feiras a partir das 22h e é animado por trios do autêntico forró pé de serra, dançarinos e repentista.
O espaço é aberto diariamente das 9h às 19h.
quarta-feira, 15 de junho de 2011
Ainda há esperança (apenas a minha opinião)
Desde os tempos da faculdade me envolvi com o movimento estudantil, e em seguida o movimento sindical. Nunca fui das militantes mais revolucionárias, mas sempre apoiei todo o movimento saído da classe oprimida, seja trabalhadora, estudantil ou movimentos sociais. Apesar de tudo isso, não simpatizava com o movimento #ForaMicarla. Inicialmente por achar que tirar Micarla era só abrir caminho para Paulinho Freire, que, na minha opinião, não seria diferente em nada da atual prefeita.
Durante os meses em que o movimento se configurou nas redes sociais eu o apoiei de forma tímida. Fiz minhas críticas à administração municipal, enviei convites via Facebook e fiz minha parte para tornar as hashtags do movimento, tendências nacionais e quiçá mundiais. Mesmo assim não fui às manifestações.
Sempre achei que é muito difícil se controlar multidões. Mesmo na minha tímida militância é possível testemunhar como sempre há os mais exaltados que nunca seguem as recomendações dos líderes, e, um movimento tão eclético quanto se apresentava o #ForaMicarla, a tentativa de ser organizado deveria ficar fora da realidade.
Minha outra crítica ao movimento se deu também à primeira manifestação ocorrida no Midway. Até hoje a maior do movimento. Com o mérito de ter colocado duas mil pessoas unidas em prol de uma causa justa, o movimento, a meu ver, pecou em escolher o horário e o local. O horário pegou exatamente a volta pra casa do trabalhador. Esse mesmo trabalhador que, assim como grande parte dos que fazem o movimento, é submetido a um péssimo sistema de transporte público e passa por ampla exploração em um dia de trabalho. Perdeu o movimento em perder o apoio da população. O local pra mim também prejudicou a manifestação, pois fechou o único acesso ao maior hospital de urgência e emergência da cidade.
Apesar de tudo isso mantive meu apoio, e minha indignação aumentou quando começou-se a falar em polícia para desocupação da Câmara. Aí vieram vereadores reclamando o direito de trabalhar. Aqueles mesmos que vivem em recesso e sempre ganham com convocações extras nas férias. Aqueles mesmos que suspenderam a sessão quando o ex-vice-presidente morreu. Ora vamos colaborar. Não precisa suspender sessão por um protesto ordeiro como aquele.
Várias vezes tentei ir à Câmara, mas os compromissos cotidianos me impediram. Com isso comecei a acompanhar o relato de amigos, jornalistas ou não, que estavam acompanhando o dia-a-dia daquele grupo que resolveu lutar pelo bem de toda uma cidade. Mesmo com toda a realidade contida nos relatos eu ainda mantinha um resquício de dúvida.
Nesta quarta-feira recebi um pedido do Sindicato para o qual trabalho que fizesse um registro fotográfico do movimento. Ao chegar lá, me deparei com um dos movimentos mais organizados que acompanhei na minha vida. O que eu julgava ser um movimento estudantil é na verdade amplo e plural. São pessoas completamente distintas unidas por um interesse em comum. O de viver em uma cidade administrada de forma competente e honesta.
O coletivo #ForaMicarla já tinha ganhado a minha simpatia antes do final da tarde. Momento em que os acampados começaram a se organizar para resistir ordeira e pacificamente à ameaça de repressão do braço armado do estado: a polícia. Naquele momento já tinha vontade de deixar a câmera fotográfica de lado e me juntar aos que entoavam músicas e gritos de guerra no pátio da Câmara Municipal de Natal.
Já com vontade de descer as escadas que dão acesso à presidência da Casa onde eu me mantinha para eternizar os momentos mais marcantes, me deparo com um momento lindo. Entra pátio adentro um dos manifestantes gritando: GANHAMOS.
Naquele momento todos se abraçaram e dali surgiu, de forma natural e espontânea uma das cenas mais emocionantes da minha vida. Com a bandeira do Brasil aberta, os manifestantes cantaram o Hino Nacional brasileiro. Chorei. Chorei de verdade, de emoção e felicidade por ver que as coisas em que acredito ainda podem ser o caminho sim.
E aquele movimento que eu tanto critiquei, de quem eu tanto duvidei, me conquistou e me acalentou. Parabéns a todos que fazem o Coletivo #ForaMicarla. Que esse seja o primeiro passo para uma luta muito maior. Que a instalação da CEI seja conquistada e que, apesar do rabo preso de grande parte dos edis. Que consigamos provar os desvios de verba pública e provocar a abertura do processo de impeachment da prefeita.
Por fim, aos que acham que jornalista tem que ser imparcial, sinto acabar com o sonho: não existe imparcialidade. Cada um defende o que acha certo. Eu defendo o direito de lutar por um mundo melhor.
Ana Paula Costa é jornalista, assessora o Sindicato dos Trabalhadores em Saúde do Rio Grande do Norte e é diretora de comunicação e cultura do Sindicato dos Jornalistas do RN.
E o dia começou assim...
Natal, 15 de Junho de 2011
Sra. Prefeita Micarla de Sousa: nós, do Movimento #ForaMicarla, saudamos a sua iniciativa de realização de uma coletiva de imprensa. Porém, não reconhecemos a coletiva ocorrida ontem pela manhã como um sinal de abertura do diálogo. Pois um diálogo público pressupõe o debate de idéias e a construção de pautas para amadurecermos enquanto sociedade. Pressupõe uma firme postura de humildade e reconhecimento do outro.
O que todos puderam acompanhar foi a persistência de um discurso que é marcado pela desqualificação dos que contestam de maneira franca o seu trabalho, pela falta de auto-crítica e de disposição em participar de um debate amplo e aberto a todos; pela vexatória postura de fingir que a visível decadência da nossa cidade (nos mais diversos setores do serviço e da regulação pública) não tem nada a ver com o governo cuja principal figura é, ou supõe-se que seja, a senhora.
É claro que a administração municipal vigente não é a raiz de todos os problemas que afligem Natal; as práticas clientelistas, patrimonialistas e anti-democráticas vem de longe na nossa História. Acontece que chegamos a um ponto em que a indignação está saindo dos limites do conformismo e finalmente ganhando as ruas através de cidadãos que respondem ao chamado da denúncia de uma realidade insustentável de corrupção e mau uso dos recursos que pertencem ao povo. Essa indignação materializou-se no #ForaMicarla, um movimento horizontal, popular, suprapartidário e autogestionado.
E os motivos dessa mudança de consciência, mudança que é a força geradora do Movimento #ForaMicarla, são visíveis para todo cidadão. Basta que ela(e) queira e tenha condições de refletir criticamente sobre os problemas com os quais nos deparamos diariamente. Entre eles, podemos citar: a deprimente situação da Educação Básica na cidade; a ostensiva privatização do atendimento dos serviços de Saúde; os sucessivos aumentos na tarifa do transporte público, sem que haja sensível melhora no serviço; o notório superfaturamento de contratos, que vão desde o aluguel de prédios até a compra de copos descartáveis; o habitual uso da dispensa de licitação; os milhares de buracos e os constantes alagamentos nas vias públicas da cidade. Por último, e em especial (pela indiscutível má-fé que evidencia), cabe citar os injustificáveis gastos vultuosos em propaganda e publicidade institucional.
Como dissemos, nem todos esses problemas têm sua origem no atual governo municipal, Sra. Micarla. Mas certamente podemos concluir que o agravamento ou manutenção destes se deve à incompetência administrativa da sua gestão, que localmente é comparável apenas com a incompetência do poder Legislativo que deveria fiscalizar as ações da prefeitura.
Viemos à Câmara Municipal exigir que esse trabalho seja efetivamente conduzido. O ponto de partida que nós estamos reivindicando é a instalação da CEI dos Contratos Municipais. Desde que, obviamente, ela seja feita de uma forma que permita investigações incisivas, como a situação da cidade demanda. A posição de relatoria ou presidência, como a senhora e os vereadores bem sabem, não tem como característica principal a atração de holofotes. Dizer isso, como a Sra. disse ontem, demonstra da sua parte uma atitude de escárnio em relação ao exercício legislativo. Tão grave quanto a flagrante falta de disposição dos membros da Câmara de trabalhar em prol da lisura e do respeito aos eleitores que os conduziram ao exercício do poder.
De forma alguma questionamos a legitimidade das eleições de 2008. Tanto a Sra. quanto os atuais vereadores foram escolhidos democraticamente nas urnas. O que questionamos é a validade da permanência de indivíduos que não estão trabalhando de maneira minimamente satisfatória. Existem meios legítimos para canalizar esse sentimento e encaminhar a retirada destas pessoas do poder público, e estamos aprendendo a utilizá-los.
Temos o direito de nos expressarmos livremente e de emitir nosso juízo de valor, pois sabemos o valor do nosso trabalho, e porque pagamos os impostos que transferem uma parte do resultado deles para os cofres públicos municipais, para que vocês cuidem bem do que é da população de Natal. O tom da nossa voz é modulado pelo conhecimento de causa de quem se esforça diariamente para melhorar a sociedade através do nosso trabalho, mas não está vendo esse esforço ser plenamente aproveitado em decorrência das péssimas condições da cidade. O nosso valor pode ser verificado em nossa resistência aos sucessivos ataques desleais ao movimento, à nossa organização de índole pacífica (apesar das condições precárias de ocupar um prédio que teve o fornecimento de água cortado), e à pressão que temos sofrido de uma mídia que (você sabe na prática) em grande parte ainda é refém do coronelismo.
Se for preciso clarear ainda mais nossas exigências, que assim seja: queremos que o Legislativo investigue com real dedicação os contratos realizados pelo Executivo; queremos que, se comprovadas as diversas evidências de irregularidades, seja deflagrado um processo de impeachment contra a Sra. Instrumentos legais existem para que isso seja possível, e a Constituição brasileira estará (como tem estado, nessa ocupação) do nosso lado.
Queremos que, mesmo depois de tudo isso, o poder público MUDE o caráter da sua atuação em Natal. E passe a ter, DE FATO, um apego incondicional à prática da Democracia (que vai muito além do momento eleitoral) e aos princípios da gestão pública.
Lutamos respaldados pelos sentimentos e pela consciência de uma quantidade expressiva de cidadãos natalenses. Lutamos pela superação do momento de denúncia para que seja possível a anunciação de uma Natal melhor. Trazemos, espontaneamente e ao preço de muitos sacrifícios pessoais, uma mensagem dos natalenses para a Sra.:
Nossa indignação é a maior realização da sua prefeitura.
Você não sabia.
Agora você sabe.
Ass.: Movimento Popular #ForaMicarla
Sra. Prefeita Micarla de Sousa: nós, do Movimento #ForaMicarla, saudamos a sua iniciativa de realização de uma coletiva de imprensa. Porém, não reconhecemos a coletiva ocorrida ontem pela manhã como um sinal de abertura do diálogo. Pois um diálogo público pressupõe o debate de idéias e a construção de pautas para amadurecermos enquanto sociedade. Pressupõe uma firme postura de humildade e reconhecimento do outro.
O que todos puderam acompanhar foi a persistência de um discurso que é marcado pela desqualificação dos que contestam de maneira franca o seu trabalho, pela falta de auto-crítica e de disposição em participar de um debate amplo e aberto a todos; pela vexatória postura de fingir que a visível decadência da nossa cidade (nos mais diversos setores do serviço e da regulação pública) não tem nada a ver com o governo cuja principal figura é, ou supõe-se que seja, a senhora.
É claro que a administração municipal vigente não é a raiz de todos os problemas que afligem Natal; as práticas clientelistas, patrimonialistas e anti-democráticas vem de longe na nossa História. Acontece que chegamos a um ponto em que a indignação está saindo dos limites do conformismo e finalmente ganhando as ruas através de cidadãos que respondem ao chamado da denúncia de uma realidade insustentável de corrupção e mau uso dos recursos que pertencem ao povo. Essa indignação materializou-se no #ForaMicarla, um movimento horizontal, popular, suprapartidário e autogestionado.
E os motivos dessa mudança de consciência, mudança que é a força geradora do Movimento #ForaMicarla, são visíveis para todo cidadão. Basta que ela(e) queira e tenha condições de refletir criticamente sobre os problemas com os quais nos deparamos diariamente. Entre eles, podemos citar: a deprimente situação da Educação Básica na cidade; a ostensiva privatização do atendimento dos serviços de Saúde; os sucessivos aumentos na tarifa do transporte público, sem que haja sensível melhora no serviço; o notório superfaturamento de contratos, que vão desde o aluguel de prédios até a compra de copos descartáveis; o habitual uso da dispensa de licitação; os milhares de buracos e os constantes alagamentos nas vias públicas da cidade. Por último, e em especial (pela indiscutível má-fé que evidencia), cabe citar os injustificáveis gastos vultuosos em propaganda e publicidade institucional.
Como dissemos, nem todos esses problemas têm sua origem no atual governo municipal, Sra. Micarla. Mas certamente podemos concluir que o agravamento ou manutenção destes se deve à incompetência administrativa da sua gestão, que localmente é comparável apenas com a incompetência do poder Legislativo que deveria fiscalizar as ações da prefeitura.
Viemos à Câmara Municipal exigir que esse trabalho seja efetivamente conduzido. O ponto de partida que nós estamos reivindicando é a instalação da CEI dos Contratos Municipais. Desde que, obviamente, ela seja feita de uma forma que permita investigações incisivas, como a situação da cidade demanda. A posição de relatoria ou presidência, como a senhora e os vereadores bem sabem, não tem como característica principal a atração de holofotes. Dizer isso, como a Sra. disse ontem, demonstra da sua parte uma atitude de escárnio em relação ao exercício legislativo. Tão grave quanto a flagrante falta de disposição dos membros da Câmara de trabalhar em prol da lisura e do respeito aos eleitores que os conduziram ao exercício do poder.
De forma alguma questionamos a legitimidade das eleições de 2008. Tanto a Sra. quanto os atuais vereadores foram escolhidos democraticamente nas urnas. O que questionamos é a validade da permanência de indivíduos que não estão trabalhando de maneira minimamente satisfatória. Existem meios legítimos para canalizar esse sentimento e encaminhar a retirada destas pessoas do poder público, e estamos aprendendo a utilizá-los.
Temos o direito de nos expressarmos livremente e de emitir nosso juízo de valor, pois sabemos o valor do nosso trabalho, e porque pagamos os impostos que transferem uma parte do resultado deles para os cofres públicos municipais, para que vocês cuidem bem do que é da população de Natal. O tom da nossa voz é modulado pelo conhecimento de causa de quem se esforça diariamente para melhorar a sociedade através do nosso trabalho, mas não está vendo esse esforço ser plenamente aproveitado em decorrência das péssimas condições da cidade. O nosso valor pode ser verificado em nossa resistência aos sucessivos ataques desleais ao movimento, à nossa organização de índole pacífica (apesar das condições precárias de ocupar um prédio que teve o fornecimento de água cortado), e à pressão que temos sofrido de uma mídia que (você sabe na prática) em grande parte ainda é refém do coronelismo.
Se for preciso clarear ainda mais nossas exigências, que assim seja: queremos que o Legislativo investigue com real dedicação os contratos realizados pelo Executivo; queremos que, se comprovadas as diversas evidências de irregularidades, seja deflagrado um processo de impeachment contra a Sra. Instrumentos legais existem para que isso seja possível, e a Constituição brasileira estará (como tem estado, nessa ocupação) do nosso lado.
Queremos que, mesmo depois de tudo isso, o poder público MUDE o caráter da sua atuação em Natal. E passe a ter, DE FATO, um apego incondicional à prática da Democracia (que vai muito além do momento eleitoral) e aos princípios da gestão pública.
Lutamos respaldados pelos sentimentos e pela consciência de uma quantidade expressiva de cidadãos natalenses. Lutamos pela superação do momento de denúncia para que seja possível a anunciação de uma Natal melhor. Trazemos, espontaneamente e ao preço de muitos sacrifícios pessoais, uma mensagem dos natalenses para a Sra.:
Nossa indignação é a maior realização da sua prefeitura.
Você não sabia.
Agora você sabe.
Ass.: Movimento Popular #ForaMicarla
sábado, 1 de janeiro de 2011
Arlindo Cruz - Chegamos ao Fim - MTV Ao Vivo
Tem músicas que às vezes a gente se pergunta como não fomos nós mesmos que compusemos...
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