sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Das ilusões conquistadas vendendo galeto...




Quem já passou pela rua Vigário Bartolomeu, no Centro, pode nunca ter reparado no que há depois daquele vão localizado entre mercadinhos, sebos e casa de jogo do Bicho. Mas o letreiro que dá nome à Casa do Cordel já deve ter despertado o imaginário de muita gente.
Pois a equipe do JORNAL DA CONLUTAS parou para ver e, de quebra, entrou na morada dos folhetins de cordel que o poeta Abaeté instalou no coração do Beco da Lama como se fosse uma casa de taipa no sertão nordestino.
Criada há seis meses por iniciativa do cordelista, depois de algumas desilusões conquistadas vendendo galeto, a Casa do Cordel é a resistência da cultura popular. Ao todo, são mais de mil títulos assinados por poetas de várias partes do país. “Tem cordel de todo Brasil aqui. Meus mesmo devem ter uns 400. Se eu fosse vender só o cordel não daria para pagar o aluguel, por isso aqui vendo livro, xilogravura, antiguidade... sou estudioso do cangaço, vem muita gente procurar material sobre o assunto aqui comi-go”, afirmou o poeta que, por nascimento, se chama Erivaldo Leite.
Abaeté começou a escrever cordéis somente há dois anos. Tomou tanto gosto pela coisa que, hoje, tem opinião própria e embasada sobre o assunto. “A cultura popular concorre com outras culturas de elite. No Rio Grande do Norte, o melhor é o poeta mossoroense Antônio Francisco. O problema é que em Mossoró o pessoal não escreve cordel por prazer, mas para ganhar dinheiro”, destaca.
Recentemente, a Casa do Cordel entrou como parceira do Redemoinho, projeto cultural idealizado por entidades e sindicatos de esquerda do RN como o Sintest-RN, SindPrevs-RN, SINAI e PSOL. O apoio às entidades de luta é uma marca da casa. “A cultura quem faz são os pobres. O problema é que falta apoio e as pessoas se mostram inseguras”, afirma.
Outra contribuição de Abaeté e da Casa do Cordel para a cultura brasileira é dada através da união Nacional dos Cordelistas do Rio Grande do Norte (UNICODERN). O estudante de escola pública que procura a Casa e compra um cordel por R$ 1 das próximas vezes pode trocar o folhetim por outro sem pagar nada. “É uma forma de incentiva a cultura popular”, diz o poeta.




Por: Rafael Duarte




Só pra complementar: o texto tá massa, mas é importante prestar atenção no negrito, conquistar desilusões, ainda mais vendendo galeto, não deve ser fácil... Mas enfim. O local é ótimo e recomendo a todos darem uma força. Até porque com essa chuva as goteiras estão castigando os pobres cordéis...

2 comentários:

Adriana Amorim disse...

Massa, Ana! Sempre vejo o poeta pelo centro, mas nunca entrei no seu recanto de cordéis! Depois desse 'puxão de orelha', tá na hora de ir lá, não acha? kkkk... beijos!

Sérgio Vilar disse...

Imagino Abaeté vendendo galeto e cantando O Mundo é um Moinho... Sei não, viu?