terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Lições pra toda vida

Perdoem-me os poucos mas fiéis seguidores deste blog. Momentos conturbados me fizeram abandoná-lo, mas pretendo voltar com força total. Com atualizações quase que diárias e textos sobre o que realmente gosto de falar: livros e filmes. Obrigada pela visita.







Lições pra toda vida

Vi ontem o dia (26/01/09) ser noticiado por vários jornais e sites como um “dia de terror” para milhares de trabalhadores do mundo depois que algumas das maiores empresas globais anunciaram a demissão de 53 mil funcionários. Pois bem, não é nenhuma novidade a crise que o mundo vem enfrentando, as demissões e falências que estão sendo pagas às custas do suor do trabalhador, mesmo tendo sido criadas pela burrice do capitalismo desenfreado. Mas isso é assunto para outro texto.

O que quero realmente lembrar é que em um dia como ontem, milhares de trabalhadores desempregados aqui no Brasil não tinham outra coisa a fazer a não ser assistir a companheira de tantas noites insones, ou seja, a famigerada Rede Globo. Pois bem, confesso que tinha outras opções, mas acabei conferindo o filme da Tela Quente: As loucuras de Dick e Jane. Um filme que poderia nada mais ser do que um besteirol americano, permeado pelas caras e bocas exageradas do eterno Máscara, Jim Carrey, se não fosse seu roteiro.

O filme tratava de um casal que se vê na miséria depois que a empresa em que o personagem principal, Dick Harper falia e deixava a família de classe média alta sem nada. Tem também um detalhezinho machista quando a mulher do personagem principal abandona seu emprego porque o marido ganha muito bem, mas isso também deixo para outro texto.

Voltando ao filme, no meio da crise, com milhares de desempregados, adivinhem qual a solução dos personagens? Viram bandidos. Isso mesmo, assaltantes. Conseguem recuperar tudo que tinham só roubando.

É claro que no final como todo “bom” filme americano que se preze tudo fica bem. Dick “rouba” o dinheiro do único que tinha se dado bem com a falência da empresa, o dono, e devolve aos funcionários, como um bom americano.

Mas a questão é, não teria outro dia para passar o filme? Eu já vi a Globo mudar o filme da Tela Quente inúmeras vezes. Inclusive deixar de exibir alguns que eu gostaria de ver. Acho que a crise deveria ter sido motivo para que o filme não fosse exibido quase que em horário nobre. A impressão que dá é que o veículo de comunicação não sabe a força que tem nem o público que atinge. Vivemos em um país cheio de desigualdade e o incentivo ao consumo já nos leva a uma violência desenfreada. Exibir pessoas, que mesmo vivendo uma realidade diferente, conseguem se dar bem às custas de roubos e ilegalidades não é uma boa lição em tempos difíceis como estes.

A Globo já virou mania na minha televisão, mas luto contra isso diariamente. Depois desse episódio vou pensar um pouco mais antes de sintonizar o 19 na TV.

2 comentários:

Rafael Duarte disse...

Pois é. A moral da história ficou naquele velho chavão: "ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão!" A Globo é isso mesmo que a gente sabe e vê todos os dias: um veículo sem escrúpulos que não liga para quem assiste e nem se importa com o impacto do que divulga.
Bjo grande e muito feliz por ver suas análises de volta. Vida longa ao Letras e Cenas!!!!!!!!!!

Adriana Amorim disse...

Hei, Ana! Saudades... apareça com Rafael lá em casa no sábado... o convite foi feito no 'descoberto' blog 'O meio da rua'... rsrs.. beijos!