segunda-feira, 28 de julho de 2008

Cachaça e futebol, criadores de cenas


Não há lugar com mais observações a se fazer que um boteco que exibe jogos de futebol. As nuances são muitas e os detalhes ampliados por aquela imersão nos sentimentos mais profundos das pessoas. Nesse caso, especialmente dos homens, criaturas já tão fechadas historicamente e que se deixam, frente a uma competição em uma arena lotada de tantos outros como eles, transparecer suas emoções.
Mas deixemos de mais delongas, uma vez que eu nem sei ser tão filósofa assim.
Apesar de afirmar que a observação se faz na maior parte das vezes de homens, confesso que sou freqüentadora assídua desses lugares. Na maior parte das vezes na companhia do meu marido, mas nunca levada por ele. Ele bem sabe que, se não estou com vontade, não tem Flamengo que me tire de casa.
Também é interessante informar, antes de tudo, que meu interesse nos jogos, diferente da maioria das mulheres, não é nas pernas dos jogadores (que também não deixo de admirar), mas no jogo em si. Não sou nenhuma exímia comentarista de futebol, mas também não preciso ficar pedindo explicações a cada cinco minutos ou escutando as besteiras ditas pela maioria dos narradores de hoje.
Enfim, vamos ao que interessa. Como no jogo de ontem pude reparar em tudo, coisa que algumas vezes o meu teor alcoólico impede, pude ver com mais clareza os tipos que ali freqüentam.
Tem os que já chegam bêbados e se valem dos comentários alheios para repetirem seguidas vezes broncas aos mesmos jogadores ou pedidos de trocas aos técnicos. Há também os que se valem de ali ser um ambiente onde ninguém critica os palavrões e desatam a gritá-los, mesmo que a bola esteja fora de jogo. Não podemos esquecer dos que vão com a família ou dos que ali estão para se livrar dela (pois domingo é o dia de ter que aturar aquelas “visitas” indesejadas). Mas, com certeza, o mais insuportável, é o que não entende bulhufas de futebol, ta ali só para beber e implicar com quem está assistindo o jogo. E lógico, adora quando consegue tirar alguém do sério.
Com certeza há muitos outros, e talvez em um dia de maior criatividade possa até nomear estes e os demais. Infelizmente por hoje fiquemos com esses que estiveram presentes no sofrível empate sem gols do Flamengo com o Botafogo na noite de ontem, no bar do Ricardo. O resto, é motivo para outros comentários.

P.S.: A quem interessar possa sou Flamengo desde criança, mesmo sendo o meu pai um sofrido botafoguense. O fanatismo do Rafael só influenciou em idas mais freqüentes aos bares para assistir aos jogos.

Um comentário:

Rafael disse...

Posso saber em que tipo de torcedor eu me incluo nesta lista, dona Ana Paula. Um bjo! E eu não sou fanático. Sou FLAnático!!!!!